Por trás dos montes

Por trás dos montes Por trás dos montes Por trás dos montes Por trás dos montes Jamais poderei esquecer o ano de 2016. Foi um ano muito duro onde fomos postas à prova. Houve muitas emoções e esperanças. Houve fraquezas e uma imensa tristeza. Desejar manter os meus compromissos até ao fim do ano obrigou-me a sair da minha zona de conforto, a me confrontar com a realidade. Para poucos dias, mas juntas, porque era isso que importava, fomos a Trás-os-Montes, junto ao Douro Internacional. Viajar fortalece os laços. O foco é único e a partilha é infinita. E tudo ajuda, os amigos, os encontros, os animais, a paisagem, a natureza. Estou infinitamente grata!

Sentir a Primavera

A bolsa A bolsa A bolsa A bolsa foi realizada a partir dum antigo colchão de lã. Aliada a tecidos contemporâneos, vai receber a leitura do momento. É a sugestão para a viagem que vamos efectuar. O leme para as próximas semanas é descansar. O Inverno foi longo, queremos agora sentir a Primavera. Até já!

Comme la montagne est belle

Comme la montagne est belle Comme la montagne est belle Comme la montagne est belle Comme la montagne est belle Comme la montagne est belle Aos nossos olhos, a montanha parece um imenso deserto de pedras. Aprendi a olhar para ela. Afinal está povoada de inúmeras famílias, nómadas berberes em constante transumância. Os rebanhos são grandes. A vegetação sendo escassa é perfumada e muito diversificada ao longo do ano. As tendas são montadas no chão. Criam-se pequenos abrigos para proteger os recém-nascidos do chacal. Se eu tinha um caminho criado aquando da construção das linhas de alta tensão, os nómadas berberes seguem trilhos invisíveis ao meu olhar, subindo e descendo vales a um ritmo alucinante, procurando água e pasto. Subi à montanha no primeiro dia da Festa do Casamento. Em baixo, nas tendas montadas para as Festas, os homens reuniram-se por duas vezes. Muito antes da hora do almoço e da hora do jantar, entoaram orações, juntamente com cinco molás, com cânticos corânicos da época Andaluza.

Abençoado seja o pão

Abençoado seja o pão Abençoado seja o pão Abençoado seja o pão Abençoado seja o pão Abençoado seja o pão O pão é o elemento fundamental em qualquer refeição berbère. Durante os 3 dias que demorará o casamento, duas mulheres foram designadas para fazer o pão. Durante 3 dias, desde a manhã até ao cair da noite, amassam, estendem, cozem, tudo ao nível do solo. Debaixo das tendas, montadas para a ocasião, dezenas de pessoas reúnem-se à volta duma única travessa e o pão é partilhado entre todos (os homens e as mulheres comem separadamente). Não há talheres. O pão mergulha no molho, com os dedos desfaz a carne e é levado à boca. Não faltam as abluções antes e depois das refeições. Quando as centenas de convidados saem das tendas, as travessas estão vazias. Sobram sempre migalhas e pedaços de pão que, cuidadosamente serão retirados e guardados. Nenhum muçulmano deita o pão no lixo. Read More

5 dias

O Grande Atlas #Marrocos Tempestade de neve #Marrocos Um dia por terra, uma hora por mar #Marrocos 1.200 quilómetros de estrada para 1 dia de viagem, 1 dia por terra e uma hora por mar. 3 dias para um casamento berbere mais 1.200 quilómetros de estrada que nos separavam da nossa casa. Vimos o despertar das miúdas na madrugada espanhola. Sentimos os ventos do Atlântico soprar, travando o nosso andamento. Admirámos o pôr do sol no cimo do Médio Atlas, antes de enfrentar uma tempestade de neve no Grande Atlas. A lua iluminou a nossa descida na parte oriental. Senti na pele, o frio vindo do deserto quando chegámos ao nosso destino. Valentes são as miúdas que aguentaram um dia inteiro de carro. Nele se dormiu, se comeu, se leu, ouviu-se música, falou-se e brincou-se para ganhar tempo. Os 490.000 que marca o conta-quilómetros é o testemunho das nossas longas viagens. É a nossa memória. Começamos a ter um maior afecto para com um veículo que tem tanta idade como as nossas filhas. No regresso destes 5 dias de férias, fomos unânimes. Não lavar o carro. Deixar o pó do Grande Atlas, porque ele tem o seu próprio ADN!