O meu luto

Na Mesclamalva, antiga fábrica de lanifícios Camello À minha maneira faço o meu luto À minha maneira faço o meu luto À minha maneira faço o meu luto O meu luto tem cor, cada ponto um pensamento. Não vesti o preto e apesar de saber que o Filipe me queria como uma viúva alegre, carrego o peso da palavra ditado pela sociedade. Hibernei envolta na lã do meu primeiro tapete de Arraiolos. Tenho feito a aprendizagem através da leitura atenta dum maravilhoso livro História e Técnica dos Tapetes de Arraiolos de Fernando Baptista de Oliveira. De resto, sigo a dica duma amiga de que tudo vale. Vou dando o ponto com lãs escolhidas a dedo. O tapete não é para mais ninguém e com ele, faço o meu luto. O meu luto habita os cantos da casa. Compulsivamente, re-arrumei-a. Mudei a ordem seguindo o instinto.Também abri alguns armários, despi os cabides da sua presença. Dei algumas roupas, sobretudo aos mais necessitados mas guardei as camisas. Desfeitas em fitas, vão ser tecidas para obter uma manta. A manta do meu luto, às cores, com alegria porque assim era o Filipe. O silêncio por cá também é o meu luto. Sem precipitação, vou emergindo. O meu regresso com a Primavera.

Juntos na Feira de Natal

Quando a lã ronrona Antes de entrar de alguma forma em modo de hibernação (preciso de me recolher uns tempos e verdade seja dita, o inverno preta-se a isso) vou para Lisboa para a Feira de Natal na Retrosaria Rosa Pomar. Levo comigo o meu último projecto para pôr lá dentro gatos a ronronar ou como neste momento a lã que pacientemente vou tricotando. Tricotar é terapêutico. E esta camisola que está a ganhar forma ajuda-me a me focar no essencial. Este ano a Feira de Natal conta com a presença de muitos criativos. Venham conhecer a Mazurca Handmade, Lord Mantraste, Aly John, Beija-Flor, Zélia Évora, doSemente, Ritacor, Perdi o fio à meada, The Flying Fleece, e O Tempo das Coisas. Até jà!

Tricot, livro e afins

Tricot, Livro e afins Les chaussettes vertes Os novos cachecóis Os meus dias levam uma certa disciplina para poder levar avante os deveres e projectos que construam a jornada. Há já alguns bons anos que dedico os meus serões ao tricot porque a noite, a minha vista já não alcança as linhas e as agulhas. É a altura em que finalmente me sento no sofá e durante uma hora ou duas, estou à volta das agulhas de tricot. Estou prestes a acabar umas meias para condizer com um par de Kickers adquirido no inicio deste verão a um preço de fazer inveja a muitas bolsas. Mondim foi o fio escolhido. Procurava o verde igual a label do lado direito da minha bota, para levar a bom bordo os meus dias! Quase a acabar as meias e a pensar no tricot que se seguirá. Viver muito longe dos centros urbanos tem as suas vantagens mas confesso, no que diz respeito a escolha das lãs, estou definitivamente em desvantagem. Embora haja múltiplas escolhas possíveis on-line, preciso de ver e tocar a lã. Também gosto da cheirar! Conhecendo a Beiroa, decidi-me por comprar o mostruário de cores. Gostava de ver mais lojas a fazer o mesmo, porque começa-se a produzir em Portugal uns fios muito bonitos mas devido às longas distancias não me atrevo a arriscar. Em casa, com o mostruário e um livro recentemente publicado, a C. pude escolher a cor da camisola que brevemente vou iniciar. Sentimental Tricot? Há muito que ansiava por encontrar um livro como o da Alice Hammer. O livro é a minha cara. O site é muito interessante e convido a uma leitura atenta em francês ou em inglês. Optei por comprar o livro porque é muito completo e tenho a certeza de que vou acabar por tricotar todos os modelos propostos ao longo dos próximos anos. Os modelos são criados pela própria Alice H. baseando-se em modelos tradicionais. O livro consegue ser despretensioso, simples, muito bonito, e gosto muito do design gráfico. É um livro para ser espalhado aos 4 ventos, para ter na nossa biblioteca. Proeza, há uma edição francesa e outra em inglês! E porque a distancia tem destas coisas, acontece-me ter sobras de lã. Este ano, levei as meadas restantes para as tecedeiras da Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola. Ainda consegui obter uns lindos cachecóis que vou oferecer no Natal. Na fotografia, o cachecol bege foi tecido à partir da sobra deste colete tricotado num fio da Noro, o cachecol castanho é duma meada da Beiroa. Os outros prometo mostrar depois da época natalícia. Não vão uns olhares curiosos descobrir as prendas que tenho para oferecer!

“Ronrom”

"Ronrom" "Ronrom" "Ronrom" Achei que para apresentar o meu novo projecto, tinha de ir até ao Mercado Crafts & Design em Lisboa. Tive razão. A recepção foi extraordinária. Apesar da chuva no sábado (já agora aproveito aqui para agradecer o empréstimo da tenda da Joana e do Paulo da handcolor porque sem ela não poderia ter estado presente) vieram, e tanto nesse dia como no domingo, os amigos e curiosos apareceram para me visitar e conhecer, apreciar e aplaudir o produto. Em Dezembro regressarei a Lisboa, mas até lá, vou voltar a lavar a lã, carmea-la, carda-la, feltra-la e apisoa-la para dar forma a novos abrigos "Ronrom". O trabalho é demorado, feito com muita paciência mas compensador. Os gatos adoram a lã. É uma peça muito bonita que fica bem em qualquer casa. Há mais aqui!

Uma feliz parceria

Uma feliz parceria Uma feliz parceria Uma feliz parceria À frente da marca Montanhac estão a Joana e o Paulo, um simpático casal que um dia tiveram a ideia de criar uma parceria com a Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola. Sobre a pele duma mala ou duma mochila, uma bolsa foi aplicada. Tecida em lã pelas tecedeiras da vila, a bolsa reproduz os famosos padrões das mantas alentejanas. Todas as iniciativas são para serem louvadas sobretudo quando se trata dum projecto nascido em Mértola, com o cuidado devido em salvaguardar as tradições. A produção fotográfica é caseira. O meu contributo para o pontapé de saída desta nova marca. As malas serão apresentadas na Feira Internacional de Artesanato (na FIL de 25 Junho a 3 de Julho) no stand da tecelagem de Mértola. Montanhac tem uma página aqui. Divulgar também é uma forma de ajudar. Em Lisboa ou em Mértola, apareçam!

Pensar a médio prazo

Pensar a médio prazo Sobre o signo do Leão Pensar a médio prazo Dou por mim já no mês de Maio. O pedúnculo da alfazema já está a atingir proporções generosas e dentro dum mês, sensivelmente, estarei a colhê-las e a transformá-las. Do ano passado, sobrou-me uma mão cheia em granel. Resolvi fazer uns colares com cheirinhos para apaziguar ou perfumar. Alguns estão aqui. Suspiro com a ideia que daqui a quatro meses haverá novas mudanças em casa. Como demoro na realização dos meus trabalhos e como tenho forçosamente de pensar a médio prazo, impus-me alguma disciplina. Coso durante o dia e ponho-me a tricotar durante a noite. O cesto segue-me para todo o lado. É um hábito, uma forma de estar. Quanto ao seu conteúdo, voltarei a falar nele mais tarde. Ainda tenho o verão para o acabar. Ontem dei o último ponto numa nova almofada. Baseada nesta, a constelação anda à roda do Leão e vai ocupar o quarto de um menino.