Juntos na Feira de Natal

Quando a lã ronrona Antes de entrar de alguma forma em modo de hibernação (preciso de me recolher uns tempos e verdade seja dita, o inverno preta-se a isso) vou para Lisboa para a Feira de Natal na Retrosaria Rosa Pomar. Levo comigo o meu último projecto para pôr lá dentro gatos a ronronar ou como neste momento a lã que pacientemente vou tricotando. Tricotar é terapêutico. E esta camisola que está a ganhar forma ajuda-me a me focar no essencial. Este ano a Feira de Natal conta com a presença de muitos criativos. Venham conhecer a Mazurca Handmade, Lord Mantraste, Aly John, Beija-Flor, Zélia Évora, doSemente, Ritacor, Perdi o fio à meada, The Flying Fleece, e O Tempo das Coisas. Até jà!

A última fotografia de família

A última foto de família Agosto 2016. Foi nos degraus daquela casa que foi tirada a última fotografia de família. Nós os 5. Nos mesmos degraus onde há 19 anos conheci o Filipe, onde houve a promessa de Mille Ans d'Amour. Filipe partiu. Não vou partilhar aqui a dor que nos causa. Partiu cedo, cedo demais. Convivíamos com a doença, fazia parte da rotina, com altos e baixos, mas acreditávamos piamente em melhores dias, acreditávamos, sobretudo, na ciência e esperávamos. Não sei dos dias que virão. Tenho compromissos na primeira pessoa, em nome da xuxudidi, até ao Natal. Estarei presente no primeiro e terceiro fim-de-semana do mês de Dezembro no Mercado Crafts & Design, em Lisboa, e há a promessa duma venda de Natal na semana que antecede as festas na Retrosaria. Depois… vem um período de recolhimento… um novo ano… e só me ocorre dizer "não sei"!

Tricot, livro e afins

Tricot, Livro e afins Les chaussettes vertes Os novos cachecóis Os meus dias levam uma certa disciplina para poder levar avante os deveres e projectos que construam a jornada. Há já alguns bons anos que dedico os meus serões ao tricot porque a noite, a minha vista já não alcança as linhas e as agulhas. É a altura em que finalmente me sento no sofá e durante uma hora ou duas, estou à volta das agulhas de tricot. Estou prestes a acabar umas meias para condizer com um par de Kickers adquirido no inicio deste verão a um preço de fazer inveja a muitas bolsas. Mondim foi o fio escolhido. Procurava o verde igual a label do lado direito da minha bota, para levar a bom bordo os meus dias! Quase a acabar as meias e a pensar no tricot que se seguirá. Viver muito longe dos centros urbanos tem as suas vantagens mas confesso, no que diz respeito a escolha das lãs, estou definitivamente em desvantagem. Embora haja múltiplas escolhas possíveis on-line, preciso de ver e tocar a lã. Também gosto da cheirar! Conhecendo a Beiroa, decidi-me por comprar o mostruário de cores. Gostava de ver mais lojas a fazer o mesmo, porque começa-se a produzir em Portugal uns fios muito bonitos mas devido às longas distancias não me atrevo a arriscar. Em casa, com o mostruário e um livro recentemente publicado, a C. pude escolher a cor da camisola que brevemente vou iniciar. Sentimental Tricot? Há muito que ansiava por encontrar um livro como o da Alice Hammer. O livro é a minha cara. O site é muito interessante e convido a uma leitura atenta em francês ou em inglês. Optei por comprar o livro porque é muito completo e tenho a certeza de que vou acabar por tricotar todos os modelos propostos ao longo dos próximos anos. Os modelos são criados pela própria Alice H. baseando-se em modelos tradicionais. O livro consegue ser despretensioso, simples, muito bonito, e gosto muito do design gráfico. É um livro para ser espalhado aos 4 ventos, para ter na nossa biblioteca. Proeza, há uma edição francesa e outra em inglês! E porque a distancia tem destas coisas, acontece-me ter sobras de lã. Este ano, levei as meadas restantes para as tecedeiras da Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola. Ainda consegui obter uns lindos cachecóis que vou oferecer no Natal. Na fotografia, o cachecol bege foi tecido à partir da sobra deste colete tricotado num fio da Noro, o cachecol castanho é duma meada da Beiroa. Os outros prometo mostrar depois da época natalícia. Não vão uns olhares curiosos descobrir as prendas que tenho para oferecer!

O cabaz

Um cesto, um cabaz Taleigos e pegas Trevo de quatro folhas Para assinalar a abertura da nova página do azeite do Valle da Velha, decidimos em família propor-vos um cabaz que é representativo do que a Xuxudidi produz neste momento. Num cesto de cana, acabadinho de ser feito pelas mãos do Mestre João, selecionamos uma garrafa do nosso azeite; um taleigo ou uma pega "tête de nègre" à sua escolha e um pin para colocar em qualquer roupa ou acessório, um bonito trevo de quatro folhas em prata, trabalhado à mão pela Matilde para desejar um Bom Ano 2016. Com a compra do cabaz, oferecemos os portes de envio!

O Natal é todos os dias!

Je cuisine avec mon ami Totoro O gato que nunca sai do quarto Il faut savoir dompter les petits bêtes, surtout quand on en a peur O nosso Natal foi único. Bom. Muito bom! Foi divertido e alegre. Só nós os 5. Sem amigos ou familiares, porque por vezes os temos. Decidimos, semanas antes, a ementa e no dia, estávamos vestidos a preceito. Comemos e bebemos do melhor. Fizemos a nossa festa. As palavras escritas nos postais que a C. nos entregou eram enigmáticas, porque as prendas não vieram a tempo. O tempo fez o seu caminho e há última prenda chegou dois meses depois. Desde de então cozinho todos os dias com o meu amigo Totoro*. Há um gato* que nunca sai do quarto, e mais, é preciso saber domar os bichinhos*, sobretudo quando temos medo deles. *As personagens vêm do filme de animação do Miyasaki, O Meu Vizinho Totoro.

Silêncios pós-natalícios

Silêncios pós-natalícios Silêncios pós-natalícios Silêncios pós-natalícios Um dos momentos que mais aprecio na época natalícia são os silêncios posteriores. As casas encerram a magia nocturna como se quisessem retê-la nas suas paredes. A terra parece recolher-se sobre si própria. Piso caminhos, respiro os ares matinais. Tudo está em paz. Pelo menos assim parece.