Mais do que um trabalho de geologia

Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Talvez seja a última vez que escrevo sobre trabalhos escolares do ensino regular. Afinal todos queremos ir de férias, se bem que alguns ainda tenham de enfrentar os exames nacionais. Apesar de a C. estar no secundário em Ciências e Tecnologias, os trabalhos dela são sempre muito criativos. Em meados de Fevereiro, o professor pediu um trabalho de geologia que podia ser escrito ou em suporte digital mas a C., após ter proposto o tema “A Recuperação de Áreas Mineiras”, optou por uma maquete. O texto corre por fora sobre uma paisagem mineira e, para exemplificar o caso das minas abandonadas e dos seus impactes ambientais, construiu no seu interior uma galeria abandonada. Ao longos dos meses recolheu diversos tipos de materiais: uma caixa de sapatos, jornais para fazer “papier maché”, carris e o vagonete dum antigo brinquedo de linha de comboio, alguma madeira, um espelho para dar alguma profundidade, velas eléctricas para poder iluminar o interior, até as próprias pedras que foram recolhidas na Mina de São Domingos. O trabalho, que teve a nota máxima, deve-se em parte a uma educação que começou em casa. O mérito é e será sempre dela, mas com muito orgulho da parte dos pais. Não me arrependo de ter dito não: não à televisão, não ao se deitar tarde. Orgulho-me de, pelo contrário, ter pegado na mão dela ainda pequena e de lhe ter mostrado outras paisagens, de com quase nada ter semeado nela pequenas sementes, e de ter edificado pequenos castelos. Não me arrependo em nada de ter seguido de perto a vida escolar, de sempre ter participado e mostrado interesse. Sempre! Mais do que um trabalho de geologia, é um trabalho e uma reflexão sobre a diferença na forma de estar, na forma de educar, na forma de sermos pais. Parabéns C.!

Setembro

Também foi palácio dos Maldonados Setembro é sempre assim. Há o regresso das férias, o inicio das aulas, o fim do Verão. O arranque do novo ano lectivo é, nos últimos anos, uma pequena dor de cabeça. Este ano, esta dor é acentuada pelas incertezas e por um crescente descontentamento ao nível do Ministério da Educação e da visão que este tem para com o futuro dos jovens, nomeadamente das minhas filhas. (Não vou falar das grandes cidades, mas sim das pequenas terras que constituem este Portugal, tão esquecidas no mapa regional.) O Baixo-Alentejo será para os próximos tempos a nossa casa. Já o foi durante dois anos e apesar dos esforços constantes da Direcção do Agrupamento de Escolas de Mértola, sinto que se poderia fazer muito mais, se não houvesse o isolamento tão hermético dos Concelhos, oferecendo uma maior estratégia entre os municípios nas organizações escolares. Fazemos do Baixo-Alentejo a nossa casa porque digo NÃO ao mega-agrupamento que surgiu em Abril passado na Beira-Alta, berço da infância das minhas filhas. Acredito que não seria o melhor caminho para uma criança como a J. que requer um espaço escolar mais do tipo familiar, em suma, uma escola mais pequena e humana. Mas, se para a J. encontro um espaço favorável, já não o é para a mais velha que muda de ciclo, obrigada a fazer uma escolha numa área que, aos 15 anos, será determinante para o futuro dela. A M., vê-se assim obrigada a deixar a casa durante a semana para frequentar o liceu. Não é a única. Há na realidade, de Norte a Sul do país, jovens que precocemente deixam o lar para fazerem seu, as residências de estudantes que o Ministério da Educação tem ao dispor. E os cortes orçamentais na Educação também se ressentem nestas instituições. Aquela que será a residência da M., inaugurada há mais de 20 anos pelo então Primeiro Ministro Cavaco Silva, contava com um efectivo de 15 pessoas. Hoje, os empregados contam-se pelos dedos duma mão! A realidade é alarmante. Espantam-se com a desertificação do Interior de Portugal mas em nada o Estado permite e neste caso concreto na Educação, uma legislação talvez mais branda quanto à formação de turmas e números de alunos, uma melhor articulação em torno dos transportes públicos entre Concelhos vizinhos, evitando assim um êxodo rural. Cortes orçamentais na Educação, são cortes na qualidade do ensino, o apodrecimento lento do futuro deles e já agora, do nosso! Setembro, nem sempre foi assim!

Uma boa lição

Une inspiration de Degas Numa exposição oral, na aula de português sobre uma pessoa famosa, uma colega de turma apresentou o Edgar Degas. A apresentação deve ter sido muito interessante porque cativou a Ju. Quando vestiu a roupa nesta manhã, encenou a fotografia que acabei por tirar a pedido dela. Ao analisar a imagem, ela explica a importância de alguns detalhes. O dorsal, o vestido, o corpo sentado sobre o pano é o prolongamento dum pensamento sobre as bailarinas do Degas. É uma aula que ela nunca vai esquecer!

O peso da balança

O peso da balança O peso da balança O peso da balança O peso da balança O peso da balança O segundo ano sabático está praticamente a acabar e não sabemos se devemos permanecer no Sul ou regressar ao Norte. A única certeza é que algo vai mudar. A M. vai ter de mudar de escola. Pois, a única do concelho de Mértola não pode oferecer o que ela mais deseja. Dos 58 alunos do 9º ano, poucos vão transitar para o 10º! A taxa de insucesso escolar é assustadora. A escola aposta nos cursos profissionais como alternativa para aqueles que dificilmente poderão sair do concelho. Numa viagem este fim-de-semana à nossa casa da Beira Alta, a paisagem é outra. Os jardins são um imenso matagal. A casa está embrenhada em vivências da infância das miúdas. Ao regressarem serão agora umas adolescentes. A Direcção Regional de Educação acaba de formar um mega agrupamento em Oliveira do Hospital, os números são outros e prevêem-se não menos de 30 alunos por turma, o que não confere especialmente qualidade de ensino! Na balança, estão duas casas e uma é para fechar. Na balança, está o peso duma instrução a receber. Vamos ver para que lado cai a balança!

As novas regras da casa

As novas regras da casa As novas regras da casa ✔ Não há, nem nunca houve cá em casa, televisão durante a semana, mas voltei a insistir neste ponto. Não há mesmo! ✔ Novidade... também não há computador durante a semana, a não ser que haja deveres para a escola. ✔ Às 21 horas, desligam-se os telemóveis das mais velhas (a mais pequena não tem) e são retirados dos quartos. O que elas ganharão com isso? Tempo, espero. Tempo para estar, brincar, ler, criar. A minha espectativa é que aos poucos descubram novos caminhos relacionados com as suas personalidades. Talvez ajude a mais velha a fazer uma escolha mais acertada quando entrar para o 10º ano. Quanto aos telemóveis, descobri que elas agora dormem dum sono muito mais descansado! ✔ Comprei um mealheiro. Nunca gostei de castigos mas gosto de responsabilizá-las. Por isso, vem uma idade onde o dinheiro começa a ter valor para elas. Já não posso admitir, depois de muita reprimenda, que os sapatos fiquem "esquecidos" na sala mais de 24 horas, estorvando a passagem em nome do esquecimento ou da preguiça. São 50 cêntimos de multa! E a lista dos exemplos poderia ser maior. O que há de mais incrível, é que elas aprenderam depressa e já não repetem o erro. Será que o mealheiro chegará a engrossar? Haverá outros métodos melhores? Sugestões?

Tecer

Untitled Untitled As aulas acabaram. A J. chega feliz a casa porque, apesar das notas satisfatórias, traz nota máxima às disciplinas de Desporto e Educação Visual e Tecnológica. É onde ela brilha, sem dúvida. Assume: não quer ser "marrona" como as irmãs. Trouxe o material que ficou retido nas salas de aula e surpresa minha, andou a tecer a fachada da nossa casa alentejana. A Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola, também recebeu os alunos do 1º ciclo, para o segundo ano consecutivo, em regime de ATL (Ateliê de Tempos Livres). Aprenderam a tecer, a bordar, nomeadamente o ponto de arroiolos. Alegrou-me ver estas crianças (rapazes e raparigas) com vontade de aprender e de criar. Uma forma diferente, enriquecedora de ocupar os jovens mantando bem vivas as tradições! Read More