Mais do que um trabalho de geologia

Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Talvez seja a última vez que escrevo sobre trabalhos escolares do ensino regular. Afinal todos queremos ir de férias, se bem que alguns ainda tenham de enfrentar os exames nacionais. Apesar de a C. estar no secundário em Ciências e Tecnologias, os trabalhos dela são sempre muito criativos. Em meados de Fevereiro, o professor pediu um trabalho de geologia que podia ser escrito ou em suporte digital mas a C., após ter proposto o tema “A Recuperação de Áreas Mineiras”, optou por uma maquete. O texto corre por fora sobre uma paisagem mineira e, para exemplificar o caso das minas abandonadas e dos seus impactes ambientais, construiu no seu interior uma galeria abandonada. Ao longos dos meses recolheu diversos tipos de materiais: uma caixa de sapatos, jornais para fazer “papier maché”, carris e o vagonete dum antigo brinquedo de linha de comboio, alguma madeira, um espelho para dar alguma profundidade, velas eléctricas para poder iluminar o interior, até as próprias pedras que foram recolhidas na Mina de São Domingos. O trabalho, que teve a nota máxima, deve-se em parte a uma educação que começou em casa. O mérito é e será sempre dela, mas com muito orgulho da parte dos pais. Não me arrependo de ter dito não: não à televisão, não ao se deitar tarde. Orgulho-me de, pelo contrário, ter pegado na mão dela ainda pequena e de lhe ter mostrado outras paisagens, de com quase nada ter semeado nela pequenas sementes, e de ter edificado pequenos castelos. Não me arrependo em nada de ter seguido de perto a vida escolar, de sempre ter participado e mostrado interesse. Sempre! Mais do que um trabalho de geologia, é um trabalho e uma reflexão sobre a diferença na forma de estar, na forma de educar, na forma de sermos pais. Parabéns C.!

Para cá para là

Mini berlingot O estojo das fórmulas químicas Estojo "Paris" Vou me fazer à estrada para espalhar almofadas no novo quarto da Ju. As almofadas funcionam como uma história de afectos que se abraçam quando não se tem a família por perto. Aprendo a escutar os novos silêncios da casa. Há dias que não ponho uma roupa a lavar. Sobra comida no tacho. Há pão a mais no taleigo. Não há portas que se abrem e deixei de ouvir a música delas. A M. também entrou na faculdade e a C. está comigo não sei por mais quanto tempo. Para mais um regresso às aulas, fiz-lhe um novo estojo com padrões de algumas fórmulas químicas. Servirá como novo estímulo. (Para quem anda à procura do seu, há mais aqui). No fim do dia, após as aulas vamos ao encontro das manas. Estarmos juntas e vivermos uma outra casa. Bom fim de semana!

A neve faz as pessoas felizes

A neve faz as pessoas felizes A neve faz as pessoas felizes A neve faz as pessoas felizes Prometi levá-la a neve. Afinal é só uma subida para a Serra desde casa até ao topo. Não gosto da confusão da Páscoa, dos carros, das multidões. Indo por atalhos, ao nosso ritmo, a paisagem encanta (sempre). Prefiro escutar o silêncio das altitudes, ouvir a neve derreter tombando dos ramos enregelados. Mas após várias paragens, era inevitável chegar à Torre e misturar-me entre todos. Nesse dia, apercebi-me que a neve tem o efeito de fazer as pessoas felizes.

Nascida sobre o Signo do Aquário

Nascida sobre o signo do Aquário Nasceu uma estrela Nascida sobre o signo do Aquário Há anos que a Clotilde pede uma nova almofada e, verdade seja dita, não encontrava ideias que fossem à sua imagem até que há relativamente poucas semanas, a Constança partilhou uma fotografia dum projecto seu em curso e foi o suficiente para me inspirar. Nascida nesta data, portanto sobre o signo do Aquário, bordei a constelação com um tecido que tive de tingir por não ter à mão um azul celeste. Acolchoei a parte da frente da fronha com baeta de algodão para tornar o trabalho mais relevante e confortável. Bordei as estrelas utilizando a técnica do point d'étoiles plumetis (não conheço a tradução para português dos pontos utilizados), ligadas entre elas com o point avant. Para a nebulosa, utilizei o point de noeud. O passepoil dá-lhe um outro tipo de acabamento, como se a constelação tivesse sido emoldurada. Hoje, a jovem faz 16 anos!

O Natal é todos os dias!

Je cuisine avec mon ami Totoro O gato que nunca sai do quarto Il faut savoir dompter les petits bêtes, surtout quand on en a peur O nosso Natal foi único. Bom. Muito bom! Foi divertido e alegre. Só nós os 5. Sem amigos ou familiares, porque por vezes os temos. Decidimos, semanas antes, a ementa e no dia, estávamos vestidos a preceito. Comemos e bebemos do melhor. Fizemos a nossa festa. As palavras escritas nos postais que a C. nos entregou eram enigmáticas, porque as prendas não vieram a tempo. O tempo fez o seu caminho e há última prenda chegou dois meses depois. Desde de então cozinho todos os dias com o meu amigo Totoro*. Há um gato* que nunca sai do quarto, e mais, é preciso saber domar os bichinhos*, sobretudo quando temos medo deles. *As personagens vêm do filme de animação do Miyasaki, O Meu Vizinho Totoro.

E já cá vão duas!

E já cá vão duas! E já cá vão duas! E já cá vão duas! Ter 15 anos é também pedir à mãe para tirar uns retratos porque o dia é solene, mas acabam por fazer palhaçadas e acham-se o máximo quando não estão quietas, lindas quando distorcem a parte facial. Cresci numa casa onde havia exigências com a fotografia. Eram tiradas parcimoniosamente. Esperávamos pelo fim do rolo, esperávamos ainda pela revelação e pela impressão. As fotografias guardadas, algumas em álbuns, são memórias extraordinárias dum outro tempo, com outras noções à volta da imagem. Quando vejo os retratos destas adolescentes, através das diversas redes sociais, comparo-os a uns descartáveis, publicar e aparentemente deitar fora. É viver o presente em toda a sua força. Para os anos da benjamim da casa, a irmã mais velha ofereceu-lhe fotografias que têm marcado o seu percurso de vida. Encheu as paredes do quarto destas imagens formando letras e formas. A mancha de imagens assim projectada era interessante mas o conteúdo de cada uma delas faz-me pensar. Afinal qual será a recordação que ela terá mais tarde? A C. faz hoje, 15 anos. Assumidamente uma adolescente. E já cá vão duas em casa!