A manta dos meus amores

A manta dos meus amores A manta dos meus amores A manta dos meus amores A manta dos meus amores Nunca esquecerei os nossos abraços, o meu corpo colado ao teu. Da hora do teu regresso, das tuas despedidas também. Nunca esquecerei as gavetas do camiseiro, da participação conjunta na escolha da camisa. Opinávamos, eu e as tuas filhas. Nunca esquecerei o laço que pacientemente atavas à volta da gola, os punhos para encerrar o braço, o fato que deixava entrever a camisa. Nunca esquecerei os Invernos, as tuas camisas mais espessas sobre as calças de surrobeco, e o “débardeur” a condizer. Nunca esquecerei as Primaveras, os Verões também. As cores, o folclore por vezes. Mas eras tu. Só tu. Queria ter esquecido as camisas de outras fardas mas é com elas que correm espigas na manta agora tecida. Não esqueço não cada pedaço desta manta, que há de passar de mão em mão mas que agora abraço para não esquecer o teu perfume. ... *Agradeço as pessoas directamente envolvidas num projecto tão pessoal como “a manta dos meus amores”. A Marlene que pacientemente rasgou as camisas nos seus serões; a Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola pela execução da manta em tempo e horas; às minhas filhas pela escolha acertada das muitas camisas que o pai vestia. Afinal, hoje faria anos!

A festa

A festa Tinha eu 11 anos. Considerava-me uma criança feliz por estar presente nas festas de aniversário dos filhos, amigos dos meus pais. Vivíamos a festa, fazíamos a festa. Exibia orgulhosa um vestido e um lenço a condizer que, com muita paciência a minha mãe coseu a partir de um kit que fazia parte da revista Pomme d'Api, a revista que acompanhou a minha infância. A festa fazia-se sem telemóveis, sem a net (também nem havia) e sem televisão. Éramos muito mais criativos, muito mais comunicativos e muito mais aventureiros em comparação com os jovens de actualmente. Em dia de festa é na cozinha que reencontro um pouco deste espírito. A cozinha como epicentro da festa. Bebe-se um copo enquanto a comida é apurada e as conversas são animadas. E os miúdos, que estarão eles a fazer? Hoje, sou a adulta que encarnou o papel dos meus pais quando eu tinha 11 anos. Hoje, faço eu a festa, a minha festa!

Um presente de nascimento

Um presente de nascimento Um presente de nascimento Um presente de nascimento De cada vez que nasce um bebé, fico feliz, muito feliz mesmo, como se esse nascimento fosse da família. Pergunto-me muitas vezes de onde advém essa felicidade. Há 14 anos que saí da cidade. Nas aldeias, os sinos tocam. Tocam para marcar as horas. Tocam para anunciar as Avés Marias. Tocam para anunciar o falecimento de alguém. Raros são os dias em que o sino não relembre a perda duma pessoa. O toque é penetrante e infinito. Há códigos diferentes para anunciar o falecimento duma mulher ou de um homem. Temo o sino da igreja. Acho-o sinistro e como se não bastasse, toca para anunciar o funeral. Nas aldeias, há cada vez menos casamentos e desde que vivemos no Baixo-Alentejo, nunca ouvi o som alegre saíndo da torre da igreja, espalhando pelo ar o acontecimento feliz. Queria que os sinos tocassem quando houvesse um nascimento. Um som a espalhar a alegria (boa nova) dum evento que se faz cada vez menos nas nossas aldeias. Tricotei 4 pares de meias para o pequeno Tiago que nasceu bem longe da minha aldeia, tão longe de Portugal… lá, para os lados da fria Finlândia. Umas meias para uns pezinhos que não pararão de crescer nos próximos anos. Essa foi a forma que encontrei de dar como presente de nascimento.

Nascida sobre o Signo do Aquário

Nascida sobre o signo do Aquário Nasceu uma estrela Nascida sobre o signo do Aquário Há anos que a Clotilde pede uma nova almofada e, verdade seja dita, não encontrava ideias que fossem à sua imagem até que há relativamente poucas semanas, a Constança partilhou uma fotografia dum projecto seu em curso e foi o suficiente para me inspirar. Nascida nesta data, portanto sobre o signo do Aquário, bordei a constelação com um tecido que tive de tingir por não ter à mão um azul celeste. Acolchoei a parte da frente da fronha com baeta de algodão para tornar o trabalho mais relevante e confortável. Bordei as estrelas utilizando a técnica do point d'étoiles plumetis (não conheço a tradução para português dos pontos utilizados), ligadas entre elas com o point avant. Para a nebulosa, utilizei o point de noeud. O passepoil dá-lhe um outro tipo de acabamento, como se a constelação tivesse sido emoldurada. Hoje, a jovem faz 16 anos!