Mais do que um trabalho de geologia

Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Mais do que um trabalho de geologia ( o título está lançado, falta escrever um post) Talvez seja a última vez que escrevo sobre trabalhos escolares do ensino regular. Afinal todos queremos ir de férias, se bem que alguns ainda tenham de enfrentar os exames nacionais. Apesar de a C. estar no secundário em Ciências e Tecnologias, os trabalhos dela são sempre muito criativos. Em meados de Fevereiro, o professor pediu um trabalho de geologia que podia ser escrito ou em suporte digital mas a C., após ter proposto o tema “A Recuperação de Áreas Mineiras”, optou por uma maquete. O texto corre por fora sobre uma paisagem mineira e, para exemplificar o caso das minas abandonadas e dos seus impactes ambientais, construiu no seu interior uma galeria abandonada. Ao longos dos meses recolheu diversos tipos de materiais: uma caixa de sapatos, jornais para fazer “papier maché”, carris e o vagonete dum antigo brinquedo de linha de comboio, alguma madeira, um espelho para dar alguma profundidade, velas eléctricas para poder iluminar o interior, até as próprias pedras que foram recolhidas na Mina de São Domingos. O trabalho, que teve a nota máxima, deve-se em parte a uma educação que começou em casa. O mérito é e será sempre dela, mas com muito orgulho da parte dos pais. Não me arrependo de ter dito não: não à televisão, não ao se deitar tarde. Orgulho-me de, pelo contrário, ter pegado na mão dela ainda pequena e de lhe ter mostrado outras paisagens, de com quase nada ter semeado nela pequenas sementes, e de ter edificado pequenos castelos. Não me arrependo em nada de ter seguido de perto a vida escolar, de sempre ter participado e mostrado interesse. Sempre! Mais do que um trabalho de geologia, é um trabalho e uma reflexão sobre a diferença na forma de estar, na forma de educar, na forma de sermos pais. Parabéns C.!

Dar a conhecer

Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Não fossem uns amigos pegar na minha mão, nunca teria tido conhecimento da exposição patente na Biblioteca Municipal de Serpa. A maravilhosa obra é da autoria da Maria Rita Cortez, uma senhora de 83 anos, reformada, e que pacientemente vai juntando retalhos, todos cosidos à mão, relatando assim o quotidiano alentejano. Os pormenores são extraordinários. Uma exposição a não perder porque raramente nós é dado a ver trabalhos feitos por mulheres, confinadas nas suas casas. Até sábado, dia 3 de Junho de 2017 Biblioteca Municipal Abade Correia da Serra em Serpa 10h00 - 13h00 e 14h30 - 19h00

A manta dos meus amores

A manta dos meus amores A manta dos meus amores A manta dos meus amores A manta dos meus amores Nunca esquecerei os nossos abraços, o meu corpo colado ao teu. Da hora do teu regresso, das tuas despedidas também. Nunca esquecerei as gavetas do camiseiro, da participação conjunta na escolha da camisa. Opinávamos, eu e as tuas filhas. Nunca esquecerei o laço que pacientemente atavas à volta da gola, os punhos para encerrar o braço, o fato que deixava entrever a camisa. Nunca esquecerei os Invernos, as tuas camisas mais espessas sobre as calças de surrobeco, e o “débardeur” a condizer. Nunca esquecerei as Primaveras, os Verões também. As cores, o folclore por vezes. Mas eras tu. Só tu. Queria ter esquecido as camisas de outras fardas mas é com elas que correm espigas na manta agora tecida. Não esqueço não cada pedaço desta manta, que há de passar de mão em mão mas que agora abraço para não esquecer o teu perfume. ... *Agradeço as pessoas directamente envolvidas num projecto tão pessoal como “a manta dos meus amores”. A Marlene que pacientemente rasgou as camisas nos seus serões; a Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola pela execução da manta em tempo e horas; às minhas filhas pela escolha acertada das muitas camisas que o pai vestia. Afinal, hoje faria anos!

O meu luto

Na Mesclamalva, antiga fábrica de lanifícios Camello À minha maneira faço o meu luto À minha maneira faço o meu luto À minha maneira faço o meu luto O meu luto tem cor, cada ponto um pensamento. Não vesti o preto e apesar de saber que o Filipe me queria como uma viúva alegre, carrego o peso da palavra ditado pela sociedade. Hibernei envolta na lã do meu primeiro tapete de Arraiolos. Tenho feito a aprendizagem através da leitura atenta dum maravilhoso livro História e Técnica dos Tapetes de Arraiolos de Fernando Baptista de Oliveira. De resto, sigo a dica duma amiga de que tudo vale. Vou dando o ponto com lãs escolhidas a dedo. O tapete não é para mais ninguém e com ele, faço o meu luto. O meu luto habita os cantos da casa. Compulsivamente, re-arrumei-a. Mudei a ordem seguindo o instinto.Também abri alguns armários, despi os cabides da sua presença. Dei algumas roupas, sobretudo aos mais necessitados mas guardei as camisas. Desfeitas em fitas, vão ser tecidas para obter uma manta. A manta do meu luto, às cores, com alegria porque assim era o Filipe. O silêncio por cá também é o meu luto. Sem precipitação, vou emergindo. O meu regresso com a Primavera.

Por trás dos montes

Por trás dos montes Por trás dos montes Por trás dos montes Por trás dos montes Jamais poderei esquecer o ano de 2016. Foi um ano muito duro onde fomos postas à prova. Houve muitas emoções e esperanças. Houve fraquezas e uma imensa tristeza. Desejar manter os meus compromissos até ao fim do ano obrigou-me a sair da minha zona de conforto, a me confrontar com a realidade. Para poucos dias, mas juntas, porque era isso que importava, fomos a Trás-os-Montes, junto ao Douro Internacional. Viajar fortalece os laços. O foco é único e a partilha é infinita. E tudo ajuda, os amigos, os encontros, os animais, a paisagem, a natureza. Estou infinitamente grata!

Juntos na Feira de Natal

Quando a lã ronrona Antes de entrar de alguma forma em modo de hibernação (preciso de me recolher uns tempos e verdade seja dita, o inverno preta-se a isso) vou para Lisboa para a Feira de Natal na Retrosaria Rosa Pomar. Levo comigo o meu último projecto para pôr lá dentro gatos a ronronar ou como neste momento a lã que pacientemente vou tricotando. Tricotar é terapêutico. E esta camisola que está a ganhar forma ajuda-me a me focar no essencial. Este ano a Feira de Natal conta com a presença de muitos criativos. Venham conhecer a Mazurca Handmade, Lord Mantraste, Aly John, Beija-Flor, Zélia Évora, doSemente, Ritacor, Perdi o fio à meada, The Flying Fleece, e O Tempo das Coisas. Até jà!