Dar a conhecer

Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Maria Rita Cortez Não fossem uns amigos pegar na minha mão, nunca teria tido conhecimento da exposição patente na Biblioteca Municipal de Serpa. A maravilhosa obra é da autoria da Maria Rita Cortez, uma senhora de 83 anos, reformada, e que pacientemente vai juntando retalhos, todos cosidos à mão, relatando assim o quotidiano alentejano. Os pormenores são extraordinários. Uma exposição a não perder porque raramente nós é dado a ver trabalhos feitos por mulheres, confinadas nas suas casas. Até sábado, dia 3 de Junho de 2017 Biblioteca Municipal Abade Correia da Serra em Serpa 10h00 - 13h00 e 14h30 - 19h00

A manta dos meus amores

A manta dos meus amores A manta dos meus amores A manta dos meus amores A manta dos meus amores Nunca esquecerei os nossos abraços, o meu corpo colado ao teu. Da hora do teu regresso, das tuas despedidas também. Nunca esquecerei as gavetas do camiseiro, da participação conjunta na escolha da camisa. Opinávamos, eu e as tuas filhas. Nunca esquecerei o laço que pacientemente atavas à volta da gola, os punhos para encerrar o braço, o fato que deixava entrever a camisa. Nunca esquecerei os Invernos, as tuas camisas mais espessas sobre as calças de surrobeco, e o “débardeur” a condizer. Nunca esquecerei as Primaveras, os Verões também. As cores, o folclore por vezes. Mas eras tu. Só tu. Queria ter esquecido as camisas de outras fardas mas é com elas que correm espigas na manta agora tecida. Não esqueço não cada pedaço desta manta, que há de passar de mão em mão mas que agora abraço para não esquecer o teu perfume. ... *Agradeço as pessoas directamente envolvidas num projecto tão pessoal como “a manta dos meus amores”. A Marlene que pacientemente rasgou as camisas nos seus serões; a Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola pela execução da manta em tempo e horas; às minhas filhas pela escolha acertada das muitas camisas que o pai vestia. Afinal, hoje faria anos!