O meu luto

Na Mesclamalva, antiga fábrica de lanifícios Camello
À minha maneira faço o meu luto
À minha maneira faço o meu luto
À minha maneira faço o meu luto

O meu luto tem cor, cada ponto um pensamento. Não vesti o preto e apesar de saber que o Filipe me queria como uma viúva alegre, carrego o peso da palavra ditado pela sociedade.
Hibernei envolta na lã do meu primeiro tapete de Arraiolos. Tenho feito a aprendizagem através da leitura atenta dum maravilhoso livro História e Técnica dos Tapetes de Arraiolos de Fernando Baptista de Oliveira. De resto, sigo a dica duma amiga de que tudo vale. Vou dando o ponto com lãs escolhidas a dedo. O tapete não é para mais ninguém e com ele, faço o meu luto.
O meu luto habita os cantos da casa. Compulsivamente, re-arrumei-a. Mudei a ordem seguindo o instinto.Também abri alguns armários, despi os cabides da sua presença. Dei algumas roupas, sobretudo aos mais necessitados mas guardei as camisas. Desfeitas em fitas, vão ser tecidas para obter uma manta. A manta do meu luto, às cores, com alegria porque assim era o Filipe.
O silêncio por cá também é o meu luto.
Sem precipitação, vou emergindo. O meu regresso com a Primavera.

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