Tricotar meias com duas agulhas

Tricotar meias com duas agulhas Ensinar e sentir-se útil na transmissão do saber A Manuela ofereceu-me um texto para fazer um par de meias com duas agulhas. Lembrava-se das palavras da sogra enquanto tricotava, ditando o passo a passo. Numa folha branca, a Manuela transcreveu: Fazer meias é um morticínio Se o pé for pequeno, é preciso um novelo de lã e duas agulhas de tricotar, mais uma agulha de coser para usar no fim. Primeiro, 50 malhas, para começar pelo cano. Tricota-se o cano em ponto liga e depois passa-se a fazer uma carreira em ponto de meia, outra em manta de gato. Na altura do calcanhar, na carreira da manta de gato e quando faltam 15 malhas para o final da agulha, mata-se uma e acaba-se a carreira (isto vale para as duas carreiras extremidades das carreiras). Volta-se até ao mate, novo mate e continua-se até ao fim. Vão-se matando as malhas uma por carreira, até só haver 6 antes do fim da agulha. Quando se chega à seis malhas, começa-se a encher outra vez o espaço que ficou desocupado, acrescentando uma malha de cada vez em cada carreira de manta de gato. Quando se tiver o tamanho do pé necessário (mais ou menos 50 carreiras) fazem-se 5 malhas, mata-se uma, e de 12 em 12 mata-se uma. Na carreira de ponto de meia não se faz nada. Na nova carreira de manta de gato, mata-se uma de 11 em 11. E assim por diante. Quando já só houver 5 ou seis malhas na agulha, REMATA-SE. Então dobra-se o trabalho ao meio, e cose-se com uma agulha de coser. Uns dias depois, fui ter com a minha amiga. Tinha dúvidas. Pedi-lhe para melhor me exemplificar o que teimava em não compreender e então, ela foi buscar um par de meias tricotado pela sogra. Não desfazendo a proposta da Manuela, que acho deliciosa (os meus olhos também comem letras), não há como persistir na tentativa de tricotar com 5 agulhas. A quantidade de agulhas pode parecer assustadora mas, tricotar em circulo, tem a vantagem de não ter costuras. Há semanas atrás, uma avó da minha aldeia apareceu na Cocheira ❤ Atelier decidida em aprender a tricotar um par para um bebé. Com duas ou cinco agulhas, sinto-me útil na transmissão do saber!

A festa

A festa Tinha eu 11 anos. Considerava-me uma criança feliz por estar presente nas festas de aniversário dos filhos, amigos dos meus pais. Vivíamos a festa, fazíamos a festa. Exibia orgulhosa um vestido e um lenço a condizer que, com muita paciência a minha mãe coseu a partir de um kit que fazia parte da revista Pomme d'Api, a revista que acompanhou a minha infância. A festa fazia-se sem telemóveis, sem a net (também nem havia) e sem televisão. Éramos muito mais criativos, muito mais comunicativos e muito mais aventureiros em comparação com os jovens de actualmente. Em dia de festa é na cozinha que reencontro um pouco deste espírito. A cozinha como epicentro da festa. Bebe-se um copo enquanto a comida é apurada e as conversas são animadas. E os miúdos, que estarão eles a fazer? Hoje, sou a adulta que encarnou o papel dos meus pais quando eu tinha 11 anos. Hoje, faço eu a festa, a minha festa!

Na minha redoma de sol

O meu mar Como borboletas Como borboletas Tenho estado, nestes últimos dias, a ver a meteorologia para o próximo fim de semana. Apetecia-me levar a família a fazer um piquenique, aventurar-nos por serras mas será possível que vivo numa redoma de sol e que à minha volta haja somente chuva? O Inverno passou, sem que os pingos de chuva enchessem de água a minha praia ou regassem as searas que rastejam por entre as terras de xisto. O vento seca qualquer ameaça de chuva. No barranco do lavadoiro da aldeia, as borboletas aquáticas persistem em águas estagnadas. Abril, águas mil?

Os totes

O tote O tote O tote Quando faço totes penso na leveza do saco que levaria ao ombro, carregando um livro para um jardim público, ou tão leve que regressaria com ele para casa cheias de flores depois dum passeio ao campo. Certo é que este fim-de-semana apetece sair de casa e respirar os ares marítimos. No meu tote talvez traga alguma recordação do mar. Estes e outros estão disponíveis na loja. Com ou sem eles, bom fim-de semana!

A neve faz as pessoas felizes

A neve faz as pessoas felizes A neve faz as pessoas felizes A neve faz as pessoas felizes Prometi levá-la a neve. Afinal é só uma subida para a Serra desde casa até ao topo. Não gosto da confusão da Páscoa, dos carros, das multidões. Indo por atalhos, ao nosso ritmo, a paisagem encanta (sempre). Prefiro escutar o silêncio das altitudes, ouvir a neve derreter tombando dos ramos enregelados. Mas após várias paragens, era inevitável chegar à Torre e misturar-me entre todos. Nesse dia, apercebi-me que a neve tem o efeito de fazer as pessoas felizes.