Tricotar para usar, encabeçar, reciclar e reutilizar

Tricotar para usar, encabeçar, reciclar e reutilizar
Tricotar para usar, encabeçar, reciclar e reutilizar
Tricotar para usar, encabeçar, reciclar e reutilizar
Tricotar para usar, encabeçar, reciclar e reutilizar
Tricotar para usar, encabeçar, reciclar e reutilizar
Tricotar para usar, encabeçar, reciclar e reutilizar

Volta e meia regresso à Cooperativa de Tecelagem de Mértola. Gosto de ver as tecedeiras em actividade, de ouvir o bater do tear neste espaço museológico.
Na minha última passagem enamorei-me dumas meias de algodão.

Os dois primeiros pares chamaram-me a atenção, pelo comprimento, pelas cores e pela beleza dum trabalho feito e tricotado à mão.
Houve um tempo em que as mulheres não usavam calças para ceifar ou para mondar. Calçavam meias de algodão até a altura das coxas, presas por elásticos ou por fitas de nastra debaixo das saias. Mais tarde, com o aparecimento das calças, as meias passaram a ser usadas mais curtas. Com o tempo, o uso e as lavagens (não havia máquina de lavar a roupa) as meias iam perdendo a cor e ficando gastas, sobretudo nas partes do calcanhar e eram parcialmente desmontadas para voltarem a ser tricotadas com um fio novo. Não se tratando dum remendo, chamavam-lhe “encabeçar a meia”. É por esta razão que uma grande parte das meias acabam por ter várias tonalidades.

Chegam às mãos das tecedeiras de Mértola pares de meias de algodão que pacientemente vão desfazendo para criarem novos novelos que, mais tarde, serão tecidos para dar forma a novas toalhas. O fio extraído da meia apresenta-se matizado, conferindo à peça tecida cores subitamente tão bonitas e únicas.

Utilizar, reciclar, reutilizar.

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