Lusco-fusco

Lusco-fusco
Lusco-fusco
Lusco-fusco

Nem sempre é fácil sair da nossa zona de conforto em dias de Inverno, sobretudo em final de dia quando há rotinas estabelecidas como pôr a salamandra a funcionar para aquecer a casa, tornar o espaço acolhedor, dando a ideia que lá fora, tudo se tornaria hostil com o cair da luminosidade e o frio que envolve o ar e a terra.

Contrariei esta rotina por um dia.
Fui ao encontro da equipa do ICNF do Parque Natural do Vale do Guadiana para fazer a contagem dos grous. A contagem é feita quando os bandos de grous voam para o seu dormitório.
O dormitório são as margens duma barragem. Dormem com as patas dentro da água porque a água é como um alarme, previne a aproximação de qualquer predador.
Numa zona alta ainda pude ver as garças e os corvos marinhos. No imenso horizonte, o sol parecia cair a um ritmo alucinante.
Os corvos, em bandos, sobrevoaram as águas para tomar voo e desapareceram.
O sol escondeu-se. Irrompeu o silêncio.
E de repente, antes de poder vê-los, ouvi os chamamentos.
Ordenados, em voo lento e elegante, circundaram as águas para pousar. É um dos espectáculos mais bonitos de observar e ouvir nesta altura do ano.
No lusco-fusco, a equipa contou 602 grous.

Deixar uma resposta