Na Cerca dos Sobreiros

Na Cerca dos Sobreiros Ju. Une collation comme à la maison Na Cerca dos Sobreiros Na Cerca dos Sobreiros Inka Qualquer dia ponho-me a escrever um roteiro sobre lugares maravilhosos que há tão perto de casa e que fogem dos guias turísticos. Ou será que devo ficar calada, muito bem caladinha e guardar segredo do nosso pequeno paraíso? De qualquer forma nada me impede de falar onde pernoitar, caso gostem de dormir na tenda (e atrevo-me a propor dormir ao relento debaixo duma abóbada de estrelas, no Verão) na propriedade da Inka e do António, muito perto da Mina de São Domingos. É um lugar mágico, silencioso e perfumado. Na horta, cresce um pouco de tudo e há uma grande variedade de plantas aromáticas. A Inka cozinha (recorro a ela para me confeccionar deliciosos bifes de seitan) mas também faz massagem integrativa. Para os autóctones, ela também faz massagens ao domicilio! Fomos de bicicleta para lanchar juntos. 4 quilómetros nos separa pela estrada velha. Quando alcançámos o portão, até os cavalos nos deram as boas vindas! Alternative Camping Quinta Cerca dos Sobreiros Montes Altos, Mina de São Domingos alternativecamping.com Tel. 286647352

O azeite na literatura

O azeite na literatura Pude aproveitar a "Rentrée Littéraire", em setembro passado. Numa pequena cidade francesa, entrei numa minúscula livraria, repleta de livros, de bons livros, muitos clássicos franceses e estrangeiros (também havia autores portugueses traduzidos). Andava (e ando) tão desactualizada no que toca ao panorama actual de escritores que acabei por pedir conselho. O livreiro apresentou-me os livros recentemente publicados e falou-me de cada uma das obras. Foi tão fascinante ouvi-lo, sentir da mesma forma o quanto ele ama a sua profissão, que teria levado uma montanha de livros comigo. Levei somente o que a carteira podia suportar. Entre eles, Les Prépondérants de Hédi Kaddour. Na página 236, dei de cara com um paragrafo completo que resume na perfeição a história do nosso azeite. A única palavra que teria de emendar seria a mula que foi entretanto substituída pelo motor eléctrico. De resto, faço das palavras do Hédi Kaddour, as minhas. Belkhodja, c'était un roi du tapis, mais il ne connaissait pas grand-chose à l'huile d'olive, sinon qu'elle pouvait rapporter beaucoup. Si Ahmed avait commencé à lui en raconter l'histoire, les Romains, la région couverte d'oliviers, puis la ruine pendant des siècles, et la reconquête, des plants vieux de plus de cent ans, tu sais qu'un arbre donne ses plus belles récoltes entre cinquante et cent cinquante ans? et le pressage, le pressage à froid… Si Ahmed avait claqué dans ses mains, un serviteur était entré, geste de la main de Si Ahmed, le serviteur était revenu avec une assiette et une coupelle qui contenait du sel, il avait posé l'assiette et la coupelle sur la table basse devant Si Ahmed et Belkhodja, il avait pris dans un coin de la pièce une aiguière en argent, une bassine et une serviette, "pose ça!" avait dit Si Ahmed qui avait tenu à verser lui-même l'eau sur les mains de son hôte. Belkodja lui avait rendu la pareille pendant que le serviteur s'éclipsait pour revenir avec un pain rond dont l'odeur tiède avait envahi la pièce, et une bouteille remplie d'une huile d'un vert si tendre qu'il en était presque doré, il avait mis le tout sur la table, "laisse-nous!" avait ordonné Si Ahmed qui avait contemplé la table avec un soupir de satisfaction, "maintenant tu vas comprendre", avait-il dit à Belkhodja en versant une belle flaque d'huile dans l'assiette, puis il avait pris une pincée de sel, l'avait répandue sur l'huile, il avait rompu le pain rond, en avait détaché un morceau, croûte et mie, avait trempé le morceau de pain dans l'huile, et l'avait tendu à Belkhodja, le pain sentait bon, la tiédeur faisait se répandre les arômes de l'huile et Belkhodja avait eu dans la gorge un goût qui pouvait devenir celui de sa richesse, Si Ahmed disant: on sent même la qualité du mulet qui a fait tourner la meule à concasser les olives, une bête patiente, bien nourrie, pas aussi forte qu'un boeuf ou un chameau, on n'en a pas besoin, pas trop lourde la meule, et il ne faut pas mettre trop d'olives à la fois dans le broyeur, le bon concassage doit être fin mais rester consistant, la qualité du mulet, et ensuite la qualité des scourtins, mon ami, les filtres du préssoir, la finesse de l'alfa des scourtins, et la qualité des bras des hommes au pressoir, des hommes dignes de faire sortir l'or liquide, et j'allais oublier: cueillette à la main, pas au bâton, ne jamais brutaliser l'arbre, sinon les fruits s'en souviennent. Les Prépondérants de Hédi Kaddour Éditions Gallimard, 2015

O legado etnográfico da Vidigueira

O legado etnográfico O legado etnográfico O legado etnográfico O legado etnográfico O impulso e o motivo de ir até a Vidigueira era para fazer uma surpresa à C. que naquele dia fazia mais uma prova de natação no âmbito do desporto escolar. Passando por Beja, arrastei comigo a irmã. Não fazendo a mínima ideia onde poderiam estar as piscinas, demos de caras com o Museu Municipal, instalado no antigo edifício da Escola Primária Vasco da Gama. Escusado será dizer que não fomos às piscinas, nem vimos a C. porque a visita sugou-nos uma boa parte da tarde. O museu está muito bem articulado. Não faltam os aspectos da vida privada (a casa era o mundo da mulher) como da vida económica sobre as suas diversas formas no século passado a nível do Concelho. Um precioso legado etnográfico que merece um desvio pela Vidigueira! (Deliberadamente publico somente fotografias de alguns dos muitos taleigos em exposição).

Lusco-fusco

Lusco-fusco Lusco-fusco Lusco-fusco Nem sempre é fácil sair da nossa zona de conforto em dias de Inverno, sobretudo em final de dia quando há rotinas estabelecidas como pôr a salamandra a funcionar para aquecer a casa, tornar o espaço acolhedor, dando a ideia que lá fora, tudo se tornaria hostil com o cair da luminosidade e o frio que envolve o ar e a terra. Contrariei esta rotina por um dia. Fui ao encontro da equipa do ICNF do Parque Natural do Vale do Guadiana para fazer a contagem dos grous. A contagem é feita quando os bandos de grous voam para o seu dormitório. O dormitório são as margens duma barragem. Dormem com as patas dentro da água porque a água é como um alarme, previne a aproximação de qualquer predador. Numa zona alta ainda pude ver as garças e os corvos marinhos. No imenso horizonte, o sol parecia cair a um ritmo alucinante. Os corvos, em bandos, sobrevoaram as águas para tomar voo e desapareceram. O sol escondeu-se. Irrompeu o silêncio. E de repente, antes de poder vê-los, ouvi os chamamentos. Ordenados, em voo lento e elegante, circundaram as águas para pousar. É um dos espectáculos mais bonitos de observar e ouvir nesta altura do ano. No lusco-fusco, a equipa contou 602 grous.

aBOUT

Fatias de pão Parte duma encomenda Da serie "Cefeiras" Os últimos meses foram intensos em produzir algumas peças. Hoje posso finalmente anunciar que faço parte, entre muitos outros criativos, desta nova contaminação cultural aBOUT aLENTEJO. Todas as iniciativas são de louvar!