Uma casa na aldeia. Uma porta e duas janelas.

Uma casa na aldeia. Duas janelas e uma porta.
Uma casa na aldeia. Duas janelas e uma porta.
Uma casa na aldeia. Duas janelas e uma porta.

A casa não se vê.
Não é bem assim.
Eu é que não dou por ela.

Uma casa na minha aldeia.
Uma porta, duas janelas.
Na parede branca, uns números pintados em preto.
A casa está à venda.

Por insistência da amiga, acabei por ir visita-lá.
A casa que fora da sogra.

E recuei 25 anos. Esta mesma pontada no coração, uma sensação que raramente se manifesta quando entro numa casa desabitada. O mesmo sentimento, exactamente o mesmo de quando entrei pela primeira vez na casa que agora habitamos.

Entrei na casa.
Apreciei a luz. Movimentei-me nos espaços. Fui respirar o ar no quintal.

Vejo o que mais ninguém vê.
Imagino.
Projecto.
Esta também poderia ser a minha casa.

3 comments on “Uma casa na aldeia. Uma porta e duas janelas.

  1. Dulce Gomes

    Sempre aquela sensibilidade que só algumas mulheres entendem…
    esta casa, que eu sempre admirei, e que me traz memórias da minha “avó” Alice, que o foi sem nunca ter sido.

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