Um passado sem retorno

Um passado sem retorno
Um passado sem retorno
Um passado sem retorno
Um passado sem retorno
Um passado sem retorno
Um passado sem retorno
Um passado sem retorno
Um passado sem retorno
Um passado sem retorno

Andava nas ruas de Beja quando, à entrada duma oficina, o mosaico hidráulico chamou-me a atenção. Espreitei para dentro e num primeiro tempo, o meu olhar tive de se habituar à escuridão do lugar. Depois, foi o meu espanto. Um belo espaço com tectos abobadados e moveis correndo ao lado das paredes dum quadrado longo. Mergulhava num passado sem retorno.
A antiga Casa Constantino fora um lugar de muita azáfama onde se confeccionava calçado ao longo do século XX. Empregava uma dezena de sapateiros. Hoje e sozinho, o Sr. Pereira com 77 anos mantém a oficina aberta, apesar de doente, porque os tostões realizados com o conserto dos sapatos são bem vindos para engordar uma reforma miserável.
Nas prateleiras, a quantidade de moldes rivaliza com sapatos usados que os clientes não vieram buscar. “Um desperdício de trabalho” que gostava de ver compensado com a venda em segunda mão.
Sentado na cadeira baixa, iluminado por um néon, manuseia uma sola. De vez em quando levanta a cabeça para cumprimentar um transeunte. Dá um pouco da sua graça, para de seguida, voltar ao trabalho.
Assim vão os dias. Não se revê fechado em casa ou sentado no café a espera que o tempo passe. Conserta sapatos para não parar.
Nessa manhã, o Sr. Pereira contou-me a história da sua vida.

6 comments on “Um passado sem retorno

  1. kristina mar

    Quem Faz coisas faz ate ao fim da vida.E’ mesmo assim quem tem uma missao na vida, nao da tempo pra perder nos cafes. Que bonito! Desejos que alguem veja e continue.

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