Bordei um postal

Bordei um postal Bordei um postal É a almofada que ela precisava para se apoiar, para dar mais aconchego, para ler, para abraçar, para dar mais calor humano ao quarto e à cama. Bordei uma almofada sobre a forma dum postal para aproximar as distâncias, para matar saudades.

A Honra

Rega a tua vida na a acabes A vida dele até estava bem regada para os seus mais de 70 anos. Era uma pessoa culta, interessada, extremamente amável e sempre militou pelas causas nobres do Homem e da sociedade. Se estivesse vivo, teria ido hoje a julgamento por, alegadamente, ter roubado dois baldes de areia. Preferiu acabar com a vida, do que perder a Honra.

Setembro

Também foi palácio dos Maldonados Setembro é sempre assim. Há o regresso das férias, o inicio das aulas, o fim do Verão. O arranque do novo ano lectivo é, nos últimos anos, uma pequena dor de cabeça. Este ano, esta dor é acentuada pelas incertezas e por um crescente descontentamento ao nível do Ministério da Educação e da visão que este tem para com o futuro dos jovens, nomeadamente das minhas filhas. (Não vou falar das grandes cidades, mas sim das pequenas terras que constituem este Portugal, tão esquecidas no mapa regional.) O Baixo-Alentejo será para os próximos tempos a nossa casa. Já o foi durante dois anos e apesar dos esforços constantes da Direcção do Agrupamento de Escolas de Mértola, sinto que se poderia fazer muito mais, se não houvesse o isolamento tão hermético dos Concelhos, oferecendo uma maior estratégia entre os municípios nas organizações escolares. Fazemos do Baixo-Alentejo a nossa casa porque digo NÃO ao mega-agrupamento que surgiu em Abril passado na Beira-Alta, berço da infância das minhas filhas. Acredito que não seria o melhor caminho para uma criança como a J. que requer um espaço escolar mais do tipo familiar, em suma, uma escola mais pequena e humana. Mas, se para a J. encontro um espaço favorável, já não o é para a mais velha que muda de ciclo, obrigada a fazer uma escolha numa área que, aos 15 anos, será determinante para o futuro dela. A M., vê-se assim obrigada a deixar a casa durante a semana para frequentar o liceu. Não é a única. Há na realidade, de Norte a Sul do país, jovens que precocemente deixam o lar para fazerem seu, as residências de estudantes que o Ministério da Educação tem ao dispor. E os cortes orçamentais na Educação também se ressentem nestas instituições. Aquela que será a residência da M., inaugurada há mais de 20 anos pelo então Primeiro Ministro Cavaco Silva, contava com um efectivo de 15 pessoas. Hoje, os empregados contam-se pelos dedos duma mão! A realidade é alarmante. Espantam-se com a desertificação do Interior de Portugal mas em nada o Estado permite e neste caso concreto na Educação, uma legislação talvez mais branda quanto à formação de turmas e números de alunos, uma melhor articulação em torno dos transportes públicos entre Concelhos vizinhos, evitando assim um êxodo rural. Cortes orçamentais na Educação, são cortes na qualidade do ensino, o apodrecimento lento do futuro deles e já agora, do nosso! Setembro, nem sempre foi assim!