Tout s’en va, tout se meurt!

Os Gomes
Dona Luisinha
Sedalina para coser
As linhas Sedalina

Era conhecido como sendo a mercearia do Senhor Gomes. A doença levou-o há mais dum mês e aquele lugar, no centro da aldeia está prestes a fechar as suas portas.
A taberna encerrou definitivamente.
Os frigoríficos estão desligados.
Já não se vende o pão.
A Dona Luisinha ainda atende atrás do balcão, os poucos fregueses que por lá passam.
As prateleiras vão-se esvaziando.
Depois, será o fim.

Trouxe muitas coisas da mercearia, nestes dois últimos anos.
Convosco, quero partilhar as linhas da Sedalina. Um bom punhado delas pode ser seu.
Basta deixar aqui no blog um comentário ou o seu testemunho, sobre o que pensa acerca do fim inexorável do comercio local (Têm até quinta-feira, dia 28 de Março, inclusive, para responderem).

Tout s’en va, tout se meurt!

0 comments on “Tout s’en va, tout se meurt!

  1. Ana Fernandes

    é assustador. Tantas vezes penso nisso… um dia queremos alguma coisa (com a qualidade que sabemos existir nesses locais) e não conseguimos comprar porque simplesmente não há. aliás, isso já acontece (daí que eu considere ser assustador). E com o fecho deste comércio local, encerram as pequenas fábricas que os forneciam com os seus produtos (e muitas delas só escoam/escoavam os seus produtos para este tipo de comercio. É lamentável, não percebo como se pode inverter esta situação ou se ainda há uma hipótese de o fazer… eu gosto bastante de frequentar o comércio local mas saio sempre com a sensação de não saber se para a próxima encontro as portas abertas… como a Fábrica de Cobertores de Papa, que já aqui partilhou, agora com a Mercearia do Senhor Gomes. Com ele desaparece todo um saber e a história de um local que certamente viveu tempos muito felizes na sua actividade, e nós “a clientela” perdemos tudo isso e a possibilidade de ali continuarmos a fazer as nossas compras, (um pouco de tudo o que é essencial para o dia-a-dia) e ainda aquele atendimento atencioso…
    :( é desolador

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  2. Sara

    O fim do comércio local é algo que me parte o coração; Não só ver a qualidade de vida que é conhecer o nosso vizinho, partilhar experiências e ter ali um amigo que sabe quem somos e do que gostamos, mas perder a beleza das mercearias (e não só!) cheias de alma e com aquele cheirinho que não engana. Sim. Se há coisa que faz falta, é o comércio de bairro, algo que penso que nos últimos anos falhou no nosso dia-a-dia com a chegada das grandes superfícies mas que agora vejo a voltar. É que, na minha opinião, as pessoas também sabem que o contacto pessoal é importante, e agora começo a ver novas mercearias, drogarias, retrosarias, com gente nova por trás que se dá ao trabalho de dinamizar e ao mesmo tempo manter a sensação de conforto que o comércio local tem.

    Na minha opinião, o comércio local não está em vias de acabar, nem nunca vai acabar. Parte de nós saber escolher onde vamos deixar o nosso dinheiro e apoiar o que achamos que devemos apoiar. Eu faço a maioria das minhas compras no comércio local, e dou prioridade a certas lojas que considero terem boas políticas, práticas e que merecem ser distinguidas e continuar a existir.

    Não conhecia as linhas Sedalina, mas posso-te dizer que têm um logótipo lindo, que só por isso vale a pena!

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  3. Ana

    A vida de uma casa depende de quem a habita. A vida de uma loja familiar depende de quem abre as suas portas e de quem consome o que tem para oferecer. Morre uma casa sem gente e morre lentamente uma terra sem casas de comércio, que são muito mais do que postos de venda, são pontos de encontro são geradores de conversas e contêm memórias que se vão perdendo depois das suas portas se fecharem para sempre.

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  4. Rebeca

    Olá,
    eu sou uma rapariga espagnole que mora numa aldeia portuguesa onde também há varias mercearias. Sao uma coisa que chamou muito a minha atençao. Aqui em Portugal ainda há muito comerço tradicional, mesmo que esteja desaparecer, em Espanha há pouco o quase nada. Eu adoro passear pela baixa de Porto e ver a lojas tradicionais, na minha cidade em Espanha nao há nenhuma das varias que houve quando eu era menina. C’est domage, pouco a pouco a vida nas aldeias está a se apagar, efeitos da modernizaçao e globalizaçao.
    Muito obrigada pelo post e pelas fotos, adorei! eu tenho muitas ganas de fazer fotos na minha mercearia mas falta-me coragem e confiança.
    As linhas muito giras! para os meus projetos sao ideais!
    bisou

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  5. Teresa

    Nas aldeias o fim do comércio é só mais um sintoma do fim da comunidade. Se não há gente, quem compra? Se não há gente, quem renova a mercearia, a taberna, o café? E se não há essa renovação, quem vai querer viver aí?

    Nos centros urbanos já não é tanto assim. Há potenciais clientes mas muitas vezes as lojas não acompanham a mudança, e são suplantadas pela cultura do mais barato e descartável (ainda esta semana, enquanto procurava numa loja um tecido para fazer umas calças de elástico para o meu filho, a empregada dizia-me que para o efeito o melhor era ir à Primark, que tinha calças de fato de treino muito baratas…)

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  6. Capucine

    j’ai eu la chance de connaître ce beau couple dans cette belle épicerie de village ,je suis triste de la disparition de Sehnor Gomes , aussi de la solitude à jamais de Dona Luisinha .
    L’épicerie va fermer, les villageois iront faire les courses à la ville voisine au “Super Marché “!!!
    Que deviendront ces villages sans les petits commerces , La population vieillissante a besoin de ces lieux de rencontre .
    Beaucoup de courage à cette Dame au regard si triste , Toute ma sympathie pour elle

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  7. Catarina

    Oh, Diane, que notícia tão triste! Lembro com muitas saudades a nossa visita loooonga à mercearia da D. Luísa, que nos mostrou cada recanto com enorme simpatia…De ter trazido um carrinho para o Artur e umas linhas sedalina, que uso com muita contenção para não desfazer o rótulo tão bonito.Quem me dera poder ir a voar até Santana e fazer uma última visita contigo à D. Luísa…

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  8. rita

    pessoas que partem, uma porta que se fecha, produtos que desaparecem, lugares vazios. muitos partem, mas alguns regressam e outros instalam-se.quando viajo, procuro sempre visitar as pequenas lojas, descobrir produtos de outrora, conhecer os rostos, as mãos e as historias de outros tempos, que normalmente são partilhadas com simpatia e generosidade. é triste, parece inevitável, mas pergunto me se teria que ser assim. e se calhar é mesmo inevitavel. quem estaria hoje disposto a trabalhar de sol a sol, ganhando se calhar só para comer…?
    obrigada Diane por nos fazeres viajar, por partilhares espaços, pessoas, lugares, pessoas, por partilhares com generosidade as tuas descobertas. bem haja.

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  9. Rita

    …tão triste ! e é uma atrás da outra,em cada esquina que passo diariamente.
    As linhas são lindas Diane !

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  10. Carmo Carmelo

    Diane, curiosamente sou diretora de uma grande superficie, a quem tantos atribuem a responsabilidade do fecho do comércio local, no entanto escreve-lho pela adoração que tenho por estes locais de ” culto” para mim, e que nos fazem viajar, nas nossas tradições, relembrar o nosso passado recente. Estou fortemente convicta, que renascerá, como tantas outras coisas quase quase despareceram e renasceram ainda com mais qualidade, o tricot, o crochet, o patchwork, a agricultura, é uma fase, é um ciclo, é o ciclo da vida. Aproveito para lhe dizer, que os temas, as imagens que publica, são uma inspiração . Obrigado!

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  11. tilamar

    Non, tout ne s’en va pas, et c’est cela qui est beau…
    Quando era adolescente, nos anos 70, quando vinha de Paris passar férias em casa dos meus avos, adorava ir a mercearia comprar sabão azul, linhas, açúcar escuro… pensava essas lojas e os seus produtos genuínos iriam desaparecer passado alguns anos..
    Hoje os comercios das aldeias desaparecem, é verdade. Mas continuo de achar extraordinário que exista em Portugal tantas initiativas, como o seu blog, para conservar a memoria e o patrimonio do campo. Enquanto houver pessoas como você para se indignar de ver lojas como essas fechar, ainda ha esperança!
    Tila.

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  12. mimitrika

    Estes últimos tempos têm sido assustadores… Pessoas que se mantêm na corda bamba, muitas vezes apenas por amor a um projecto de vida, que por vezes lhes rouba a vida em troca de quase nada.

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  13. Joana

    Moro numa aldeia quase, quase na cidade. Quando eu cresci quando faltava um quilo de arroz e a vizinha não tinha a minha mãe mandava-me a uma das três mercearias. E eu ía, no alto dos meus sete/oito/nove anos, tranquila. Já não há mercearias na minha aldeia. Vieram os hiper tomar conta deste pedaço de terra. A mim ninguém me convence que o fiambre é bom é quando é embalado, que o pão da avó sabe ao pão que eu comprava quando ía à Berta ou que a fruta embalada sabe à que havia no senhor João. Na minha aldeia já não se dão os bons dias porque os idosos foram morrendo e quem cá mora só vem cá dormir. Não foi só o comércio que foi morrendo… As pessoas não dão tanto valor à vida em comunidade e muito menos ao real valor das coisas – compram tudo feito, como diria a minha avó. Desprenderam-se, vá-se lá saber porquê. Isto aconteceu com uma rapidez alucinante e olhando agora para o rumo das coisas, penso como será nos próximo anos…É que eu ainda nem vinte tenho!

    (Lembrei-me também que quando faltava um carrinho de linha a minha mãe pedía-me para ir à Berta! Agora tenho que ir directamente a Viseu…enfim, tempos ‘modernos’!

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  14. Silvia

    E sempre com muita tristeza que recebo noticias como esta. Ha uma alma nas varias lojas do comercio local que nao e possivel substituir. O lucro nao reina supremo, ha dedicacao e atencao. Eu tenho esperanca que um dia as coisas sejam diferentes.

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  15. Manuela Veloso

    Vivo em Antuérpia mas sempre que vou ao Porto ando à procura dessas lojinhas tradicionais. Perto da casa dos meus pais também existia uma retrosaria muito antiga que ia fechar. Comprei as ultimas reliquias que a Senhora teimava em me dar, quando me vinha embora ela chamou-me e perguntou se eu queria eventualmente o armario original das linhas, como o teu na fotografia, eu disse logo que sim. Ela respondeu: tem sorte o armario, senao ia mesmo para o lixo! A sortuda fui eu, nao achas?
    Essas linhas, se as ganhar, nao as usarei para a costura, iam também ter sorte, dentro do armario sortudo!
    Manuela Veloso

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  16. sofiab

    Apesar destes casos, quero acreditar que não será reposto esse valor cultural, porque disso se trata também. Comprar numa loja de comércio local significa também trocar experiências e opiniões, saber o que outras pessoas fazem com aquele ou outro produto, partilhar modos de ver e viver. Não me parece que a tendência possa ser desaparecerem todas, porque não se imagina o deserto que isso seria. Uma mercearia antiga de armários com portas de vidrinhos em caixilharia de madeira pintadas, balcão de mármore, chão bonito e gente com saber e histórias lá dentro jamais será substituído pelo hipermercado de luz fria e corredores sem graça. Uma e outra têm o seu lugar, e o do comércio local é único e nosso.
    Ni tout s’en va, Il faut croire.

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  17. sara f.

    é triste que aconteça… faz-me pensar que talvez as gerações posteriores a essas (que tinham os seus pequenos negócios ou se especializa(va)m numa arte em particular) estejam a descartar completamente um legado que poderia ser perpetuado e acarinhado.
    felizmente ainda há casos em que o pequeno comércio é preferido em detrimento das grandes superfícies… a avó do T, por exemplo, recusa-se a trocar a mercearia que frequenta há décadas por qualquer outro sítio (mesmo que seja outra mercearia!).

    deixa, Diane… quando passar a ‘estar na moda’ recuperar esta cultura e as tradições há-de vir uma remessa de gente que transforma tudo em mercearias gourmet… :/

    são lindas as linhas :)

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  18. Tiphaine Oliveira Reis

    Que pena. Na minha aldeia, perder este pequeno comercio, nao consiguo imaginar….e mesmo muito triste.
    As tuas fotografias sao mesmo a memoria de la, que bom que tens esse poder de lembrar mas sobre tudo de nao esquecer.

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  19. Maria João

    Bom dia!

    A minha primeira memória de uma loja é de uma retrosaria! A minha avó paterna dava-me um saco de pano e lá dentro estava o dinheiro, um pedaço de tecido e o tamanho dos botões a serem forrados. Depois eu descia as escadas do prédio e do passeio olhava para a varanda onde estava a minha avó que me dizia se podia ou não atravessar a estrada. Entrava na retrosaria cheia de cores e tecidos e entregava o saco ao senhor e lá vinha ele com a sua maravilhosa máquina de forrar botões. Eu ficava em silêncio a assistir aquela transformação mágica de pedaços de pano em lindos botões. Lembro-me de deitar as minhas mãos sobre o grande balcão de madeira e de me erguer nas pontas dos pés para não perder nem um bocadinho daquela transformação. Ás vezes dentro do saco ia também um bilhete e lá dentro um recado, para ser enviado um pau de giz ou uma fita métrica.
    Depois do lado da minha avó materna descobri a ida à loja da Sra. Glória buscar a broa, o milho para as galinhas ou as azeitonas. Mas de grande importância era mesmo ir à loja do Zé Mano uma loja grande ao lado da qual havia uma tasca. Ali eu não entrava, nem eu nem outra menina qualquer, por isso adorava ficar a espreitar os homens a jogarem às cartas ou a falarem! Da loja do Zé Mano havia um pouco de tudo mas a minha maior admiração ia para o telefone, o único que existia em toda a vila. Ir lá sozinha era o reconhecimento que eu já era crescida e tinha o “juízo todo” para atravessar estradas, levar o dinheiro no bolso, não me esquecer de nada e carregar uma alcofa cheia de coisas.
    Mas neste meu mundo de infância havia ainda outras duas formas de comprar para além das lojas do bairro eram as “lojas ambulantes”. Uma era o do peixeiro de Espinho que chegava com uma grande e longa buzinadela, vinha duas vezes por semana com peixe a brilhar e com sabor a mar a outra era uma carrinha que exercia magia em todos os homens, mulheres e crianças da vila.
    Lá dentro vinham as ultimas novidades em alguidares, detergentes, tecidos, panelas, roupa interior, revistas. Todos largavam o que estavam a fazer e corriam para a carrinha era um frenesim de cores, vozes e alegrias.

    Perder o comércio tradicional é perder uma parte da minha vida, por isso sempre que me é possível é no comercio tradicional que compro tudo que necessito. Faz parte de cada um de nós não deixar cair este tipo de lojas pelo que representam da forma de ser e de estar da cultura Portuguesa. E se um dia me sai o euromilhões sou menina para fazer uma réplica da loja do Zé Mano ou da “retrosaria dos botões”!

    Maria João

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  20. paula

    As fotografias são impressionantes e dão-me arrepios! Pela mudança na Dona Luisinha (que não conheço)! Conheci algumas mulheres que passaram pela viuvez e existe um antes e um depois que se nota em quase tudo, desde a expressão até ao sabor dos seus cozinhados!
    Quanto ao comércio local lamento o que está a acontecer num país pequeno onde deixaram construir centros comerciais gigantescos numa quantidade perfeitamente desajustada. A desertificação é cada vez maior. E por outro lado tenho pena que estes comerciantes de rua não tenham sabido adaptar-se às novas regras de forma a conseguirem sobreviver. Eu sou dos que foge dos centros comerciais e só lá vou quando não tenho outra opção ou alterantiva.
    Espero que a Dona Luisinha perca esse olhar ausente e volte a sorrir …

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  21. Maria Antónia Forjaz

    Como eu me sinto bem aqui nesta “casa”. É uma casa com gente que me recebe, abre a porta e olha nos olhos. Tal como o comércio local em que cada loja é uma casa, é parte da sua casa e é nossa casa também. É assim que eu vejo e me sinto quando vou a essas pequenas lojas de grande gente. Em Braga onde vivo tenho sentido essa realidade, de lojas bem antigas a fecharem. É triste, parece que nos despedimos das pessoas para sempre.
    Obrigada pela partilha das lindas linhas.
    Ate sempre,
    Beijinhos,
    Maria Antónia For

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  22. ana v.

    Esta é uma fase dura mas das cinzas renasce a Fénix. Acredito que voltaremos a ter lugares parecidos com estes e muito mais humanos que as grandes superfícies. Ainda sou do tempo em que se comprava a manteiga a peso, o leiteiro passava à porta e que saudades do sabor do requeijão e do queijo fresco que a queijeira transportava na sua cesta em cima da rodilha e os vendia à minha porta.

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  23. mariadanazare

    as linhas, os panos, as cores, o sorriso, o cheiro… oh, meu Deus, tenho 6 anos outra vez!!!!! Não, tenho 55… mas continuo a sentir a emoção desse tempo quando vou à retrosaria da minha infância… nem que seja só na minha memória!

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  24. Rosa Belarte

    É um projeto bonito, você pode participar dela?
    Oi Diane!
    Eu li em quando e desfrutar de suas fotos e de compartilhar seus projetos sempre interessantes e bonitas.
    Hoje nós temos dúvidas sobre o mercado local, por isso é um bom motivo para escrever. Eu vivo em Espanha, em uma pequena cidade no Mediterrâneo. Aqui degradação devido ao turismo e construção acabou devastando muito de pequenas lojas de bairro, e muitos dedicados a artesanato local, cerâmica e vime, principalmente. As instalações são antigas e estavam vendendo centro, com o boom imobiliário e tinha uma pequena loja onde ele montou um bar ou um imóvel, por isso as cidades costeiras perderam a sua identidade lentamente. Após a crise veio e pequenas empresas que sobreviveram estão fechando todos os dias pelo consumo caindo tão forte nos últimos anos. É muito triste que o comércio local é a vida de uma cidade, o que dá a cada lugar personalidade única de seu povo e sua terra.
    Eu odeio ser pessimista e eu aceitar e compreender que as coisas mudam … mas por que não mudar um sistema injusto cujo primeiro princípio é sempre a produtividade? Na medida em que eu posso tentar ajudar as pessoas que estão por trás dessas mesas antigas, eu percorrer as lojas, comprar alguma coisa e apreciar de modo especial agora eu não sei por quanto tempo nós podemos desfrutar.
    Obrigado por suas fotografias de pessoas de suas terras, artesãos e ofícios que se movem quando eu vê-los. Obrigado pelo seu trabalho, é um prazer passar por aqui.
    PD.Eu escrevo com a ajuda do tradutor do Google, desculpe sei
    escrever

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  25. Angelina

    Sou de Guimarães e por aqui o comercio tradicional também já está com muitas dificuldades. Ainda há uma ou outra mercearia tradicional, uma delas teimosamente mesmo numa das ruas do centro da cidade. É uma pena que isto aconteça. Eu tenho a esperanca que tudo sendo cíclico, se torne a valorizar este tipo de serviço tão pessoal. Mas eu sou muito idealista. Talvez, quem sabe?

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  26. Luís Santos

    Ola Diane, espero que esteja tudo óptimo por ai! Como já sabes Santana de Cambas é um lugar que significa muito para mim, tenho muitos pedaços da minha vida ai e a mercearia do senhor Gomes é um desses pedacinhos. Desde muito pequeno que os meus pais e a minha Avó lá íamos fazer o avio como ela dizia, ao Gomes, lembro-me de ja com os meus 16 ou 17 não sei bem ter ido com os meus primos la comprar mercearias e era quase sempre a Dona Luísa que nos atendia e quando estava a fazer as contas no papel ao que íamos levar estava uma embalagem de ketchup e ela ao fazer as contas em voz alta diz
    – Um frasco de quetechupe
    Loooolll foi uma galhofa pegada e a Dona Luísa a olhar para nós com aquele seu sorriso sem perceber bem do que estávamos a rir.
    Soube da noticia aqui atraves de uma tia minha que vive ai.
    Não imaginas como me custa a situação que atravessamos neste momento, o de assistir a um processo de delapidação de Portugal, em especial do interior da perda da sua cultura e tradições. Sempre pensei que Portugal fosse evoluindo lenta e progressivamente para melhores condições, mas não esperava era um retrocesso tão brutal. Enfim… mas baixar ou cruzar os braços é que nunca, pois para a frente é que é andar.
    Tudo de Bom para vocês!

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  27. Paula

    Eu tenho uma loja, um comércio local, com uns jovens 5 anos de vida e que luta diariamente para manter as portas abertas. Ao meu lado várias portas se têm fechado e há outras que têm vindo a esvaziar-se lentamente.
    Como alguns dizem, é o ciclo da vida, sim, nalguns casos. Lembro-me que em pequena havia uma taberna por baixo da casa dos meus avós, ao lado uma padaria toda branca e mármore e mais à frente um sapateiro. Como eu gostava de ver trabalhar esse sapateiro, e o cheiro da cola! E tudo foi desaparecendo, mais ou menos naturalmente, com a evolução dos tempos e dos gostos.
    Mas hoje, hoje há mais do que o ciclo da vida. Há a debandada para outros sítios, há a concorrência em grande escala e a preços impossíveis de superar, e há a falta crescente de poder de compra por parte de quem gosta e que até compraria se pudesse.
    Fotografias como estas não são só registos, são tesouros. Relíquias de ternura, há em cada imagem um amor enorme, pelas pessoas, pelo espaço, pelos artigos de outros tempos que vão sumindo. E neste amor que se sente, há também a homenagem à vida desta casal, desta aldeia. Talvez seja um primeiro passo para dar continuidade ao ciclo, transformá-lo, recriá-lo.

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  28. Catarina da Rosa

    Deixa-me triste e faz-nos falta…os produtos, mas sobretudo os rostos atrás do balcão.
    São lojas cheias de histórias, de tempo, de atenção… Sinto um verdadeiro conforto ao entrar nelas e vê-las fechar é muito triste.

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