O mundo do Zé (II)

O mundo do Zé (II)
O mundo do Zé (II)
O mundo do Zé (II)

Cada encosta tem o seu nome. É no meio da escuridão que o Zé se orienta.
Deitou as 4 redes entre uma e outra margem do rio, enquanto a maré baixava e voltou logo à forma incial para apanhar os primeiros peixes.
O silêncio do rio é fascinante. As rãs fazem-se ouvir, tal como a cascata, que ainda há bem pouco tempo, mal se escutava.
Depois houve um longo período de espera. O Zé, quieto no barco, assobia. Fuma cigarros atrás de cigarros. Conta a sua história.
O silêncio fez-se maior ainda. A cascata, parecia engolida pelas águas do Guadiana. O Zé deitou uns farrapos pequenos ao rio, para ver a corrente. Parecia estar tudo estagnado, nada bulia.
Os rumores da subida da maré, horas mais tarde, fez-nos apanhar novamente as redes.

Seguimos corrente acima até Mértola. Passava das 02h00.
Nessa noite, o Zé apanhou 169 peixes. A maior parte deles são sabogas, mais alguns muges (taínhas), barbos, carpas e pimpões.
Deitou nas margens do rio as sabogas esventradas pelas enguias, tal como nós, ávidas das ovas. Fará o regalo das cegonhas!

Deixo aqui este pequeno registo individual da experiência da pesca com o Zé.
Para mim, a viagem vai seguir novos rumos com outros pescadores!

O mundo do Zé (II)

0 comments on “O mundo do Zé (II)

  1. Joana Sarmento

    Olá Diane,
    obrigada por este maravilhoso “pequeno registo individual”! Espero o registro com os outros pescadores! Já a sigo há um tempo, o seu blog é uma delicia! :)

    Joana.

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  2. Catarina

    Gosto tanto, tanto, tanto das tuas reportagens! Já pensaste em compila-las todas num livro? beijos e saudades!
    (Como vão os teus cogumelos? Os nossos estão a secar…mas já temos feitos belos manjares:-))

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