Matança do Bácoro

Matança do Bácoro
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Matança do Bácoro
Matança do Bácoro

Há 10 anos atrás era incapaz de ouvir sequer a matança dum porco.
Entrar e conviver com as tradições duma aldeia, permitiu-me abrir os olhos e entender a importância de certos rituais que de qualquer forma vão desaparencendo.
O porco, para muitos portugueses, é a base essencial da alimentação como a batata no Norte e o pão no Sul.

A matança, desempenha uma função social bastante relevante na comunidade rural, estructurada e rica em tradições. A matança mobiliza toda a comunidade, é motivo de festa.
E assim foi no domingo passado. Chamaram-lhe a Matança do Bácoro. Os homens atarefavam-se à volta da carroça, as mulheres na cozinha, descascando os alhos para cozer o sangue que será, na hora certa, comida em cima do porco.

Gosto de observar os homens, as mãos, as expressões faciais, os saborosos vocábulos.
Gosto de me refugiar na cozinha e ver as mulheres em outras tarefas.
Gosto de vê-los unidos, num ambiente de aproximação ritual da família e da comunidade.

Infelizmente, uma tradição que tem vindo a perder adeptos e com ela arrasta tantas outras perdas.

Matança do Bácoro
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0 comments on “Matança do Bácoro

  1. jubela

    Percebo bem o que dizes, mas para mim há um limite nas tradições que para mim deixam de fazer sentido, quando estas envolvem muito sofrimento. Percebo a função social, mas entendo que certas tradições podem muito bem passar à história. Por outro lado, este animal deve ter sido bem mais feliz do que muitos outros nos matadouros. Pelo sim, pelo não, a minha consciência não me deixa comer nenhum :-)

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  2. Susana Estevam

    Este post deixa-me saudades, um pouco antes de vir para a Escócia os meus avós deixaram de criar porcos, todos os anos ia à matança do porco mas também não conseguia ouvir o porco, só depois lá ia eu de copinho na mão oferecer água ardente aos homens. A minha avó fazia sempre um café especial e filhós para o pequeno almoço e o almoço era cabidela da galinha que ela tinha preparado antes. Apesar de ter partecipado tanto (lembro-me de limpar as tripas para os enchidos, ver fazer a banha, etc) tenho pena de não ter tomado mais atenção, mas quando somos pequenos não pensamos que aquilo que agente conhece como ritual é uma tradição que se está a perder…

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  3. maria madeira

    É das poucas tradições nas aldeias com a qual não me sinto à vontade, matar para comer. Embora pense que um animal criado no campo tem uma vida muito melhor que os que crescem na produção em massa.
    Quando era miúda assisti à matança do porco e de outros animais e a única coisa que conseguia fazer era fugir rapidamente dali. Sempre me impressionou e quando como carne nunca posso deixar de me lembrar do sacrifício dos bichos. Por isso, embora não seja vegetariana, consumo muito pouca carne actualmente e espero deixar de o fazer de vez no futuro.

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  4. mariadanazare

    Se tivesse de matar para comer, provavelmente morreria de fome…ou talvez não. Digo isto porque há quem mate os bichinhos por mim. Como carne e peixe (ninguém pensa nos peixes que morrem asfixiados fora de água) e alfaces e legumes (que apesar de não os ouvir, será que gritam quando lhes arranco as folhas ou os corto às fatias…) mas só tenho estes prúridos quando não vejo a matança! O homem sempre matou para comer, somos predadores…

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  5. Flávia Leitão

    Que saudades!
    Nada é melhor do que comer o porco grelhado nas brasas, acabado de matar!
    Tirar entremeada, do lume para o pão real, saboroso e caseiro!
    A nossa “globalização europeizada”, tornou proibida esta reunião!
    A descrição que faz do movimento social, afectivo, e festivo em volta da “matança”, é necessário, e não percebo a hipocrisia de ir ao supermercado e trazer caixas herméticas de carne, com o autocolante a dizer para que serve aquele bocado, e como se cozinha; e depois ter tanto asco da acto da morte em si!
    O mundo não deixou de ser real e “animal”, só porque está “maquilhado”!
    Aproveito para dizer que gosto imenso das fotos que publica!

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