À Volta do Pão Alentejano

À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano À volta do pão alentejano Demorei estes longos meses de Inverno para finalmente aprender a fazer o pão alentejano, um ícone de referência em todo o Alentejo. Partilho aqui algumas das numerosas fotografias que vão servir para me auxiliar, quando fizer o meu pão. Nessa manhã, amassaram-se perto de 60 kg de farinha de trigo. Previamente peneirada, amassou-se a 4 mãos em alguidares de barro, mas o mais espantoso foram as mãos da D. Augusta, de 80 anos. Com gestos precisos, rápidos, nunca eu tinha visto tender como ela. No tabuleiro, os pães são colocados praticamente de pé e polvilhados de farinha na superfície. Quando colocados no forno, a parte polvilhada assenta no solo. Vou mesmo ter de lhe apanhar o jeito para obter a forma tradicional! No forno, préviamente aquecido com estevas, onde cozeram os pães, para melhor aproveitamento do calor, ainda se fizeram umas costas, que são uns bolinhos tradicionais de massa lêveda (feitos com farinha, banha do porco, azeite, açúcar amarelo e canela) e ainda mais outros bolinhos... está tudo escrito neste livro de receitas! À volta do pão alentejano

Os Desenrascados II

Os Desenrascados II Os Desenrascados II Os Desenrascados II Os desenrascados II Quem vem da rua, não vê nada. É tudo muito escuro. O primeiro passo, na oficina do Mariano, funciona como um aviso. Recupera tudo, não deita nada fora. Desenrasca quem precisa. Digam lá se ele não é um desenrascado? No Alentejo, vi por cima dum galinheiro uma ventoínha e uma bicicleta a fazer a vez de... alguém saberá dar-me uma resposta? E porque precisava duma solução eficaz para limpar as teias de aranha, nos tectos de caniços, pedi ao Gil que me modificasse uma daquelas pequenas vassouras, feitas por ele, acrescentando uma vara de bambu, suficientemente cumprida, para chegar até elas a cinco metros de altura. Os desenrascados são sempre bem vindos! Read More

Matança do Bácoro

Matança do Bácoro Matança do Bácoro Matança do Bácoro Matança do Bácoro Há 10 anos atrás era incapaz de ouvir sequer a matança dum porco. Entrar e conviver com as tradições duma aldeia, permitiu-me abrir os olhos e entender a importância de certos rituais que de qualquer forma vão desaparencendo. O porco, para muitos portugueses, é a base essencial da alimentação como a batata no Norte e o pão no Sul. A matança, desempenha uma função social bastante relevante na comunidade rural, estructurada e rica em tradições. A matança mobiliza toda a comunidade, é motivo de festa. E assim foi no domingo passado. Chamaram-lhe a Matança do Bácoro. Os homens atarefavam-se à volta da carroça, as mulheres na cozinha, descascando os alhos para cozer o sangue que será, na hora certa, comida em cima do porco. Gosto de observar os homens, as mãos, as expressões faciais, os saborosos vocábulos. Gosto de me refugiar na cozinha e ver as mulheres em outras tarefas. Gosto de vê-los unidos, num ambiente de aproximação ritual da família e da comunidade. Infelizmente, uma tradição que tem vindo a perder adeptos e com ela arrasta tantas outras perdas. Read More

O Entrudo

O Entrudo O Entrudo O Entrudo na minha aldeia das Beiras, tem contornos parecidos com a fotografia de Ralph Eugene Meatyard. Eram dois tristes a andar pelas ruas, ao som duma pandeireta, longe do rebuliço carnavalesco das cidades. ... Hourra! Após 20 dias, finalmente voltámos a ter internet em casa.

La Femme qui est en toi

La Femme qui est en toi La Femme qui est en toi Pouco a conhecia. Por isso, o quanto deve ter sido difícil para ela despir-se à minha frente e expor o corpo sem artefactos, como foi difícil para mim assumir o olhar e, apesar do frente a frente, encontrar a mulher que está dentro dela. Sentou-se na cadeira, desarmada, entregue. As costas muito direitas, o sorriso nos lábios, uma tensão quase natural aos olhos da luz. Foi no encontro das nossas emoções, nesta intensa comoção que nasceram as mais belas fotografias, retratos duma mulher em véspera da primeira intervenção cirúrgica para a reconstrução mamária. Apanhada no turbilhão que avassala as mulheres, a série fotográfica foi vista como um instrumento capaz de a ajudar a superar o virar dum ciclo, com todas as incertezas inerentes ao começo dum novo.