As 2 faces do mesmo

As 2 faces do mesmo

Hoje, regressaram à escola. A entrega das avaliações será feita ao longo desta semana (ao contrário de outras escolas), embora na internet e ao alcance de qualquer um, seja possível ver as notas do primeiro período. A escola tem um portal e uma página no facebook. A informação espalha-se à velocidade da luz.

Não gosto do facebook como rede social, se bem que em termos de propagação da informação, reconheço-lhe uma certa utilidade.
Em casa, temos falado bastante com as nossas filhas prevenindo-as dos perigos, determinando o que é realmente essencial. Não posso dizer que não foram instruídas mas manifestámos um desacordo quanto à adesão duma delas.

Tenho facebook que serve basicamente como prolongamento do meu blog.
Um dia, navegando por entre figuras públicas desse mundo, descobri que a M. tinha também a sua página, mas sobre um nome imaginário (e bastante criativo).
O espanto foi a minha primeira reacção.
Escolhi o silêncio nos nossos diálogos, para criar o efeito surpresa, convidando-me como amiga. Demorou, mas acabei por ser adicionada aos cento e tais “amigos” da lista (quando os reais se comtam pelos dedos duma mão).

Larguei as rédias. Depois, desculpou-se justificando-se em demoradas conversas. Ao fim e ao cabo, a ideia prevalecente que vingou, foi a de não ser como as outras, ser excluída e isso, aterrorizava-a.
Passou a ir com muito mais frequência, alimentando uma página que até aí permanecia vazia de contéudo.
Com a consciência tranquila, as conversas fluíram, as fotos encheram albuns e os comentários… sem limites. Tornou-se viciante!

Até que, apanhada no fogo que enflama qualquer adolescente, aquando da publicação duma foto no dia da despedida dum professor que se revelara excelente anfitrião e com o regresso da antiga professora, após prolongada baixa, os comentários foram ao princípio lamuriantes, para em seguida ficarem acidulados e finalmente acabaram por ser descobertos.
Como consequência e depois duma noite sem dormir nem conseguir exprimir-se, embaralhada, numa manhã de Inverno, apresentou-me um papel para eu assinar, exprimindo um aviso que, “se voltasse a acontecer, haveria conselho disciplinar”!

Um balde de água fria, foi a minha segunda reacção.
Agora a página está fechada, tempo de reflexão para melhor maturação.
Aquilo que mais me impressiona, são duas moças que, odiando-se ostensivamente na escola, têm “afinidades” que ultrapassam a mais cinica hipocrisia no facebook.
Pergunto-me, quantos pais se importam com o que realmente se passa nas redes sociais dos seus filhos?

0 comments on “As 2 faces do mesmo

  1. trabalhoa4maos

    O que ela experienciou valeu mais do que qualquer palavra que lhe possas ter dito anteriormente. Foi uma experiência que a M. irá digerir muito bem tenho a certeza. Já agora diz-lheque a acho lindíssima neste retrato que só uma mãe conseguiria fazer.
    beijinhos para toda a família
    Sílvia

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  2. Miguel+Sílvia

    Sinto o mesmo … na incerteza de largar as rédias e recear que seja ainda demasiado cedo …. mas com vontade de a deixar avançar …. acertar o passo com os nossos filhos nem sempre é tão fácil como possa parecer …. Feliz Ano Novo para todos! :-) (Espero que a minha visita conte, porque quero continuar a “ver-te” e a “ler-te” por aqui!)

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  3. Elsa Castelo

    Parece-me que não tantos quanto o que deveria suceder…
    De qualquer forma, ainda que pessoalmente a alguma distância de ter de lidar concretamente com a questão que hoje colocas, julgo que o caminho deve passar por preparar na infância uma relação que favoreça o diálogo honesto e sem temores e, na altura, por criar algumas condições que impeçam situações indesejáveis.
    Li algures uma sugestão no sentido de criar espaços de trabalho tranquilos, mas conjuntos para a família, como um escritório com 3, 4, 5 secretárias. Dessa forma, estar-se-á mais próximo do que se passa no computador dos petizes.

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  4. adriana

    o que nos espera!
    para já com um menino de quase 4 anos ainda só lidamos com outra luta pequenina, os meninos não precisam de ser atulhados de brinquedos e muito menos de monstros que estimulam a agressividade no caso dos rapazes é flagrante…

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  5. teresa

    Estas coisas acontecem,e é bom que aconteçam assim eles vão amadurecendo e aprendendo por eles próprios , que na minha opinião é a melhor forma de aprender. Nos falamos, aconselhamos, explicamos os perigos disto e daquilo ,mas não lhes podemos cortar as asas isso não, o importante é a nossa atenção estar sempre alerta para podermos dar conta do que se passa sem eles quase não darem por isso. A atenção é foi e é uma regra base na educação que dei aos meus filhos, sempre estive muito atenta e alerta sempre! sem eles darem por isso. Graças a Deus até á data dei-me bem com todo este trabalho,sim, porque isto dá trabalho mas é um trabalho de amor e hoje sou eu a aconselhar os meus mais velhos a fazerem o mesmo com as minhas netas, embora eu o faça também já que passam o dia comigo quando estão na escola. A atenção dos pais é isencial. Gostei muito do teu testemunho aqui é de toda a utilidade.

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