Ai, ai, ai… que saudades!

Ai, ai, ai... que saudades! Ai, ai, ai... que saudades! Ai, ai, ai... que saudades! Foi uma viagem que não estava prevista mas que não foi possível adiar. O regresso, por umas horas à casa, foi suficiente para matar a saudade do espaço, dos amigos que vieram acorrer abraçar as 3 irmãs. Por cada refeição, tive de contar as cabeças, os sacos camas acabaram por destronar os lençóis. Foi bom. Foi muito bom! Não pensava que esta viagem, tão relâmpago, mas rica em relações humanas, viesse sossegar as nossas pequenas “almas”! Pela primeira vez, de regresso ao Alentejo, na nossa nova casa, a viagem foi silenciosa, em paz connosco próprios. Através do retrovisor, vi 3 irmãs, porreiras, lendo, tranquilas, prontas para novos desafios. Queria agradecer as primeiras cartas que vieram encher a caixa do correio. As cartas das amigas delas porque não havia internet nem telefone e que a rede móvel é péssima por cá. Descobrir o quanto é mágico e devolve um sorriso, receber postais como o da Marta, palavras que ganham ainda maior importância quando estamos tão isolados deste mundo. Eu, matei a saudade, à volta do lavadoiro. Já deu sinal de quem por lá já não mora, mas continua lindo, o reflexo do meu lavadoiro.

Sal tradicional

Sal tradicional Sal tradicional Sal tradicional Sal tradicional Queria aproveitar uma das últimas colheitas do sal deste ano. Aprovisionar-me para o Inverno de flor de sal e do sal marinho necessário, entre outros, para fazer o meu pão. Quando começar as primeiras chuvas, as salinas de Castro Marim fecharão. Seguem assim o ritmo das estações e a actividade retomará só em Março com a preparação das marinhas. O Sr. Antº Alberto, marnoto de 73 anos, deu-me uma pequena lição de bombinha na mão. Serve para pesar a água, antes da sua entrada nas salinas. Um processo que aparentemente parece tão fácil mas que requer mestria. Neste momento, está a ensinar a uma nova geração de marnotos, desempregados da construção civil. Talvez seja esta a salvação das salinas e a salvaguarda de tradições seculares devido à crise económica. Há que dizer não ao sal industrial!

As meias

As meias As meias As meias São pés. Grandes e pequenos. Tricotei um par de meias para a C., às riscas, alegres. A Zélia tricotou outros 2, às riscas também para um recém nascido. O último par, já velinho e em algodão, é uma amostra do que poderei encontrar por cá. Vivam os pés!

Os vizinhos

Os vizinhos Os vizinhos Os vizinhos De norte a sul do país, a noção de vizinhança ganha formas diferentes e mesmo se nos dias de hoje há uma tendência para uma uniformidade da palavra, temos a rica sorte de ter bons vizinhos. Estou ladeada de casas. A da direita é compartilhada por 3 irmãos, uma casa de férias em suma. A Dona Augusta e o Sr. Vitorino abriram-me a porta sobre este pequeno universo, simples, acolhedor. Sentados nos degraus da cozinha, trocam-se palavras duma vida que não fora tão fácil. A casa da esquerda é duma senhora sem idade, com histórias por contar. Uma mulher alegre com um coração cansado. Bi Júlia entrou na nossa vida, também pela mão das nossas filhas. Na gaveta das recordações, tirou de lá um caderno e clamou estes versos: Read More