O ano sabático

O ano sabático O ano sabático O ano sabático Na hora de fazer as malas, olho para estes 10 anos aqui vividos e confesso, criei raízes. Na hora de fechar as portadas, olho para a rua, olho para as serras e sinto uma doce saudade invadir-me. Abraço esta gente que tanto me acarinhou, tanto me ensinou. Vou. Vamos. Tudo em família. Trocamos a Beira Alta para o Baixo Alentejo. Algures na margem esquerda do Guadiana, às portas de Mértola. Um ano chave. Uma nova região, novas tradições, outras culturas. Uma nova escola, novos amigos. Dar tudo por tudo. Acompanhá-las no dia a dia e juntos irmos à descoberta. A obra acabou (ou quase). Há que habitar e dar vida à nova casa. XuXudidi et plus encore mantem-se, apesar de nos próximos dias ainda não termos ligações à internet. Até jà!

Agosto

Agosto Agosto Pequena encomenda É um mês tramado, de intensa actividade. Entre os doces e as conservas para o ano inteiro, sobra pouco tempo para responder às pequenas encomendas (e surpresa minha, uns aventais para os mais novos) e um amontoado de almofadas por acabar. Quando vem a noite, fico tão feliz por sossegar, sentada, tricotando as primeiras meias do próximo Outono. É verdade!

Milho nosso

Milho nosso Milho nosso Milho nosso Entre outras coisas, também quer ser agricultora quando for grande. Gosta de trabalhar a terra com a qual tem uma relação excepcional. Hoje, o Sr. António e a D. Elisa levaram-na a aprender a desfolhar o milho. Na eira, o milho vai agora secar para, daqui uns dias, ser malhado. Apesar de actualmente ser uma máquina a fazer o trabalho todo, o Sr. António fez uma pequena desmonstração de como era, não há muitos anos. De mangualde na mão, a J. apanhou rapidamente o jeito. Uma grande parte deste milho será vendido ao moleiro, a outra para alimentar um rebanho vizinho. Read More

Quando a bacia de cobre queima

Quando a bacia de cobre queima Quando a bacia de cobre queima Quando a bacia de cobre queima Tenho por hábito, no Verão, cozer os doces de manhã, pela fresca. Como as pêras já estavam maduras, voltei a fazer esta receita. Distraída por um pequeno-almoço frugal no meio do jardim, deixei queimar o doce de pêra. O fundo da bacia em cobre estava negra e o doce em parte carbonizado. Não querendo usar produtos abrasivos e tóxicos, descobri num forum de discussão na net, a receita duma pomada utilizada por antigos chefes cozinheiros. Com farinha, sal grosso, vinagre de vinho tinto e a clara de ovos, confecciona-se uma pasta com a consistência duma pomada. O vinagre e a clara do ovo têm a particularidade de serem um acido natural para o cobre. Mas o segredo, o grande segredo, está na força dos braços. Pois, há que esfregar! E voltei a fazer o doce de pêra...

Pão, cá e lá

Canhotos Pão, cá e lá Lá, ou seja, na outra casa, mandei fazer um forno para cozer o pão (e não só!). Recuperei uma antiga tradição alentejana de pintar com ocra ocre (lá, dizem "oca") o lugar que será invadido mais tarde pela fuligem. As cozinhas eram assim pintadas, do chão até à altura do corpo humano, tal com no interior das chaminés. Depois de passar pelo crivo e misturado simplesmente com água, a ocra ocre foi aplicada com o píncel. Como nos hábitos da Beira Alta o padeiro ainda entrega o pão à porta de casa e como o pão que chega à aldeia alentejana, já nada tem a ver com o delicioso pão alentejano vernáculo, decidi que seria eu a fazê-lo. Enquanto não desvender uma receita tradicional do Alentejo, ando por cá a treinar, amassando. Ontem à noite, fui buscar a farinha ao moleiro. Lutei por uns 5 kg de trigo do nosso (vale a pena relembrar que não há muito tempo o Alentejo era o celeiro de Portugal) e mais uns 2 kg de centeio. Foram precisos 100 grs. de fermento de padeiro. Desta fornada, guardei os "canhotos". Na próxima, ou seja daqui uma semana, só precisarei dumas 10 grs. do mesmo fermento. ... Partilhar Zine de Pão, a minha leitura do momento.

Adolescentes

Adolescentes Em meados de Julho, a C. e a J. levaram, cada uma a sua amiga, para conhecer a outra casa. Os dias passaram ao sabor do Verão, dias quentes com a vantagem de ter tão perto da casa, a praia duma barragem praticamente só para elas. A casa enchia-se de risos, de brincadeiras. A viagem para lá, como para cá, foi divertidíssima. Fez-se um concurso da canção e eu, ao volante do automóvel, fazia a vez de juri. O tempo passou a voar. Esta semana, a irmã mais velha levou as amigas do coração a partilhar este pedaço de paraíso. Trocaram-me o dia pela noite e pouco mais fizeram senão mergulhar nas mesmas águas ao final das tardes até o sol desaparecer. Concederam-me uma ida a Espanha para encher o depósito e uma paragem no Pomarão para ver as lides dum pescador à volta da sua rede. De resto, esperaram à sombra o regresso da minha incursão pelas ruas da aldeia. Descubro lentamente que não sei lidar com este novo ciclo da idade. Fecham-se, perdem a espontaneidade, contêm os risos para os partilhar só entre elas. Na ida como no regresso, a viagem fez-se em silêncio, apenas ao som da rádio. Por vezes, é difícil arrancar palavras às adolescentes!