Caminhos de ferro

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Caía o dia no cais de embarque. Encurralado entre o mar e o rio Guadiana, misturavam-se vocábulos que na altura não entendia, grande agitação e muitos sacos, soldados e grades de cervejas, algarvios e vivos ao som do galináceo, velhos, jovens e eu.
Há 30 anos atrás, fazia pela primeira vez a viagem do combóio nocturno dito “correiro”, desde Vila Real de Santo António e com chegada a Lisboa na madrugada seguinte. A vivência desta viagem era única, memóravel. O combóio ía cheio duma amostra do Portugal da altura.

Voltei a Vila Real de Santo António. A estação tem um ar de menina que não conseguiu domar o areal, portas abertas, guichet ainda fechado, tudo ficou tal qual a encontrei décadas antes. A obra arquitectónica da estação, de 1945, é de Cottinelli Telmo. É linda!

Chegam notícias, um pouco de todo o lado, do encerramento de linhas de caminhos de ferro, do fecho de estações e não entendo. Os combóios têm uma história já secular em Portugal. Tiveram uma função de desenvolvimento rural, social, industrial, de comunicação desde os meados do século XIX. A CP, na figura dos seus antepassados, foi um marco neste desenvolvimento.
Hoje está subdividida em multiplas empresas tais como a Refer, a CP Carga…
Claro que não há dinheiro suficiente para alimentar estas administrações desmesuradas com mordomias exorbitantes, quando a função da CP é o transporte alternativo às vias rodoviárias e aéreas.
Encerrar as estações e as linhas do caminho de ferro é isolar ainda mais o interior, deixando de se contribuir para o seu desenvolvimento.
Fecham-se fábricas, fecham-se escolas, centros de saúde, estações de caminhos de ferro…
Que futuro nos reservam?


Caminhos de ferro
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0 comments on “Caminhos de ferro

  1. 30 e picos

    Oh, pois é (tudo!)…
    A estação é linda, conheço-a bem mas já não lá vou há anos e anos… :)
    E o país que temos, nas mentalidades que nos governam… acabam com tudo, não percebem nada… é muito triste.

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  2. Rita Pinheiro

    Eu também não entendo!
    Esta situação dos comboios, que se tem vindo arrastar, deixa-me dois sentimentos: Tristeza e irritação.
    A história da minha família está muito ligada aos comboios – O meu avô paterno foi chefe de estação em algumas terras a sul do país. Essa é a razão do meu sentimento tristeza, a outra razão, a que me provoca irritação, é mais pragmática – Eu sou utilizadora do comboio! Preciso deles para me deslocar…

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  3. **SOFIA**

    o futuro é a alta velocidade, ou o TGV, como dizem.

    vai levar nada a coisa nenhuma…
    :( uma tristeza

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