O puto

O puto O cajado O puto O Pedro é da minha aldeia. Sempre o vi com as ovelhas ou com a mula e vestido assim. Começou tinha ele 10 anos e ia com o avô para a transumância da Serra de Montemuro. Uma longa viagem de 5/6 dias, pautada por momentos inesquecíveis como a travessia do Vouga, onde os pastores mergulhavam nas águas formando uma cadeia humana para impedir que o rebanho fosse levado pela corrente. Imagina-se o esforço físico, a união destes homens, amigos de peito. Hoje, Pedro tem 27 anos. Se não fosse um acidente na serração onde agora trabalha, teria comprado o rebanho do Farelo quando este o vendeu e a esta hora estaria no cume da Serra. Não tem outra ambição a não ser a de ser um pastor. Aliás o Jornal Expresso, na altura, dedicou-lhe as páginas centrais do suplemento Economia. Não tarda, a custo de muito sacrificio, haverá mais um pastor na minha aldeia, um puto diga-se de passagem, perpetuando assim as tradições.

Dona*

Dona Dona Se fosse estilista, desenhava para o próximo Outono-Inverno 2012-2013, com o tema "Serra da Estrela", uma panóplia de vestuário e acessórios em lã, já agora 100% portuguesa, baseados nos usos e costumes do país. A começar por estes lindos chapéus, cavalicando ora para frente para proteger a vista do sol ora para trás da cabeça como os pastores usam e como a Dona assim o demonstra. *termo utilizado pelos pastores ao longo da transumância para nos interpelar.

A choupana do pastor

A choupana do pastor A choupana do pastor A choupana do pastor Acordei de manhã com uma densa neblina tapando a vista para a serra. Salpica a cara, arrepia a pele e pensei nos dois pastores, os 2 Miguéis lá em cima, no cume da Serra da Estrela. Quando chegou a hora da despedida, o cordeiro tinha nascido, a louça (chocalho) dos chibos retirada, a ordenha das cabras feita para alimentar a matilha de cães. Os familiares estavam a arrumar a merenda, deixando para a semana alguma roupa. À porta da choupana, roupa de cama e imensos cobertores. É assim que os 2 Miguéis devem ter passado a noite. Colados um ao outro porque aquilo é minúsculo. A choupana feita de chapa de zinco será, para o próximo mês, o abrigo das noites inóspitas perante uma paisagem que se abre sobre o imenso vale. (Não é que estava a trovejar em casa!) Read More

Transumância

Transumância Transumância Transumância Na madrugada de ontem, iniciou-se a transumância estival na Serra da Estrela, subindo 1200 metros, chegando aos 1600 metros de altitude, com 950 cabeças, entre elas ovelhas e cabras, uma matilha de cães e uma dezena de pastores. As 7 horas de longa caminhada, entre asfalto, canadas e mato queimado, mais o calor, o pó, a sede constante, e a dor muscular foram superadas por um fim de dia tão intenso, único, inesperado e gratificante como o nascimento deste cordeiro. Sobre esta transumância, há por enquanto mais aqui. Read More

E vivam as férias!

E vivam as férias! Ao deixar aqui o meu testemunho, estarei a responder às numerosas mensagens que tenho recebido ao longo do ano. A escola não acabou, como começou, para a J. O esforço e a vontade são do mérito dela e daí vir dar-lhe os parabéns. O resto são meros instrumentos postos à sua disposição para a ajudar no difícil caminho da aprendizagem. O núcleo familiar, a estabilidade emocional e o amor, são fundamentais. Faz um todo! Em Setembro entrou para a escola neste pé. Até ao Natal ou seja, até ao fim do primeiro periodo, foi possível, não sem algo sacríficio, deslocar-nos ora até Lisboa ora até ao Porto, para fazer quinzenalmente a revisão necessária dos óculos prismáticos. Reconheço que apesar do investimento inicial não ser para qualquer bolsa, a revisão só se efectua nestas duas cidades, embora de forma gratuita, se bem que para as pessoas que residam longe destes dois grandes centros urbanos, torna-se penoso. De Janeiro até à Páscoa, abrangendo todo o segundo período, foi-me impossível efectuar as mesmas deslocações, a não ser esta. Rapidamente a J. deixou de usar os óculos por estarem desregulados. Além de incomodar, não estavam a favorecer o tratamento. E assim foi, praticamente até hoje! Acredito no efeito positivo do tratamento do Dr. Alves da Silva. Houve uma tomada de consciência quanto à rectificação de posições de postura. Ao longo do ano, a J. usou e abusou do leitoril, uma peça fundamental que deveria ser obrigatória nas escolas. A posição do sentar e do deitar, as palmilhas, o aparelho dentário (por causa do ranger dos dentes) e as lentes prismáticas são acessórios importantes para uma boa evolução do tratamento. A J., como qualquer criança, fez as provas de aferição (4º ano) e teve notas positivas, embora não tenha acabado a tempo as provas propostas. Começam as férias e com ela acaba um ciclo escolar. Sem dúvida, foi uma grande victória para a J. e também para nós!

O S. João das ovelhas

O S. João das ovelhas O S. João das ovelhas O S. João das ovelhas Foram à festa da Folgosa da Madalena, onde eu não pude ir. As ovelhas deram voltas à capela, para agradecer ao S. João o transacto ano bom que tiveram, segundo a tradição solsticial pagã. Estão agora devidamente enfeitadas para iniciarem, em breve, a transumância estival. Um especial agradecimento às minhas três filhas, autores destas fotos, que se empenharam em realizá-las, durante a minha ausência. Read More