O tamanqueiro de Baltar

O tamanqueiro de Baltar O tamanqueiro de Baltar O tamanqueiro de Baltar As ruas das pequenas povoações da Serra de Montemuro ocultam muito mais sobre si próprias do que o silêncio aparenta. O nevoeiro dá-lhes um toque de mistério. A chuva, o frio acentuam a realidade. Não se vêm cafés, letreiros de pequenos comércios, não me lembro ver uma escola aberta. Não se vêm pessoas nas ruas, de vez em quando umas capuchinhas e no entanto... Atrás das portas há um pequeno mundo. O gado ficou por hora no curral, os rebanhos irrompem nas ruas ao meio da tarde. Ouvimos os chocalhos, o tamanquear na calçada. Fazendo face às necessidades, devido em parte ao isolamento e às difíceis condições climatéricas é possível cruzar ainda mãos tão hábeis como o Senhor João, tamanqueiro de Baltar. No povoado aqueles pés adaptaram as botas de caminhar com solado de madeira. Não há melhor calçado, chancas ou tamancos, para isolar do frio e da humidade. Read More

E a festa foi!

E a festa foi! E a festa foi! E a festa foi! E a festa foi! O pic-nic foi em casa devido ao dilúvio, mas a vontade de ir atrás do tesouro do Capitão Pizarro não demoveu a malta mais nova. Pelo que narrava a história inventada em casa, ele fora assassinado por um pirata num vale sombrio, mas deixou, depois de ter escondido o seu tesouro, pistas para que um bando de marujos soubessem decifrá-las e encontrá-lo. Safou-nos uma palheira aberta para nos proteger da chuva, apesar de tão exígua! E a festa foi!

Coisa que não sei fazer

Coisa que não sei fazer Coisa que não sei fazer Coisa que não sei fazer Há muito que queria uma renda à janela e por incrível que pareça, é coisa que não sei fazer. Recorri às senhoras que moram na aldeia (afinal quem não sabe fazer crochet?) para fazerem uns bicos, mais uns corações para dar as Boas Vindas à porta da entrada. Não tinha um esquema, somente trazia a ideia. Juntaram-se para desenvolver a forma. Coisa que não sei fazer Mais tarde, para me preparar para o Verão, trouxe um livro japonês com o diagrama dum chapéu. Percebi que não sabiam lê-lo e que afinal o saber é algo que vai passando de geração em geração via oral. Vão reproduzindo através da fotocópia dum modelo ou dum esquema do ponto cruz. Também não há uma técnica de fazer crochet, mas sim várias. A tia Gracinda, com 84 anos, predispôs-se a mostrar como se faz renda com a linha ao ombro. [flickr video=5540767166 secret=929dcf73d2 w=500 h=400] A D. Eduarda é que está a fazer o chapéu, a linha no dedo. [flickr video=5540813798 secret=06047937f1 w=500 h=400] Eu, fico a ver, incrédula!