O azeite

O azeite

Este ano, mais uma vez, fomos colher as azeitonas para fazer “o nosso azeite”.
Durante muitos anos dávamos as azeitonas e em contra-partida ofereciam-nos um garrafão de azeite. Com o tempo e com a nossa vinda para o campo, considerámos que moralmente devíamos ser nós próprios a cuidar do olival que pertenceu aos tetras e bisavós.
Há dois anos, o litro de azeite ficou-nos a 4,75 €. Este ano, feitas as contas com o pessoal da apanha, o lagar, o transporte e outros custos, o azeite ficou-nos a 6,12 € o litro. Este preço representa a morte de milhares de pequenos agricultores que ainda vivem no campo, pois o consumidor citadino pode adquirir o azeite a 3 ou 4 € nos grandes supermercados.
Simplesmente, a diferença está na qualidade organoléptica do azeite rural e do azeite industrial. A côr, o aroma, o perfume, a intensidade do azeite é totalmente diferente. O olival dos pequenos agricultores é antigo, é humano, tem história, não é de cultura intensiva como o actual olival alentejano que se vê por milhares de hectares, com oliveiras pequeninas, de metro a metro e com rega automática. A colheita faz-se com uma máquina que substituiu a mão de obra de 200 pessoas. São dois mundos diametralmente opostos. Um é humano de qualidade intensa, impagável e com história, o outro é industrial, desumano, de rentabilização máxima e “trabalhado” em laboratório.
Que mundo é este?

0 comments on “O azeite

    1. Joao

      Boa tarde,
      Tenho produção de miolo (grão) de amêndoa e azeite de trás-os-montes. Vendo pequenas quantidades (min. 5l e 1kg). Entrega em mão.

      Cumprimentos,

      João Tomé
      (joaobtome@gmail.com)

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  1. aracne

    We have the same problem, here in Tuscany. The producers stop picking olives because it is expensive and it is difficult to sell an oil of high quality but more pricey. Besides, less and less manpower is available for a job done in cold weather.
    I am guilty too, because I purchased up to know a cheaper product. But if I make a calculation of the money that I save over 1 year, I realize that bartering quality, history and tradition for 50 euro/year is just not worth.

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  2. maria

    um mundo de escolhas.
    só há dois caminhos : —o da luz. o da sombra. o da coragem, o da cobardia…—
    o ético. o não ético.

    fazendo as contas: qual o de saldo positivo?
    não devía ser difícil este teste!

    (ainda
    os azeites “gourmet”, em frascos a lembrar perfumes, estão a milhas de nos fazer sentir a dádiva de um olival, o prazer de o ver crescer……..
    e também estão longe de custar 6.12€ l
    nunca fiz as contas a quanto me fica o azeite que vou comprar todos os anos a sortelha: mas os amigos, já não dispensam as malgas de azeite para molhar o pão, nos jantares cá em casa! nem vou fazer !! ))

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  3. Raquel

    Desde sempre, desde que me conheço por gente que o sabor do azeito que sinto na boca é esse… é o sabor do “nosso” azeite,tão unico…

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  4. maria

    vivemos numa sociedade do espectáclo diane, como definiu & denunciou tão bem o nosso querido guy debord ! consumação rápida em grandes quantidades e sem reflexão, infelizmente … se trazeres algumas garrafinhas para lisboa eu gostaria muito de adquirir alguns litros desse delicioso azeite

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  5. Bea

    Acredito que as pessoas cada vez se voltam mais para as terras. Estas vão voltar a ser o tesouro da família, seja por necessidade, por gosto ou saudade. Espero para a semana ir até Ferreira de Aves ajudar o meu avô na apanha. Com ele não se bate, apanha-se o máximo possível à mão para não estragar a azeitona. Que árvores maravilhosas. Nesta altura parecem de prata. E que sabor tão delicioso, o do azeite caseiro 😀

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  6. Francesca

    I dream of my own land, and my own olive grove. One day. For now, I only have one olive tree … Olive and grapes are as old as our Mediterranean culture. Beautiful photo, Diane.

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  7. Andreia

    Que mundo é este?
    É o mundo do salário mínimo a 500€, dos juros a subir, das crianças para alimentar e para vestir, da casa para pagar, da água, da luz, do gás, tudo a somar…
    Que mundo é este? É o mundo de todos os produtos de qualidade que queria poder ter e dar às minhas filhas, mas não posso. E sim é o mundo do azeite a 3€/litro, ou coisa que o valha, porque essa é realmente a única opção.
    “Groumets”???? não é para salários mínimos…

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  8. nunoliveira

    Boa Tarde,

    Mandaram-me este texto e fiquei bastante contente por “descobrir” este blogue e partilhar do entusiasmo de quem tem o privilégio de poder retirar subsistência da sua própria terra.

    Em relação aos preços do azeite, não me fazem grande confusão- a Diane (não me enganei?) refere que este azeite é diferente em bastantes aspectos positivos, pois esta diferença cobra-se no mercado porque muita gente reconhece a qualidade, frequentemente com diferenças de preços bem maiores do que 2-3€.
    O azeite biológico e/ou tradicional, quando obtém uma certificação, pode facilmente atingir os 12€.

    Do mesmo modo, de certeza que não estão no mesmo “campeonato” as peças que faz com quaisquer objectos feitos em série e despersonalizados que se comprem nas lojas para as mesmas funções.
    Tal como a sua criatividade e esforço têm um preço justo mais alto, também este azeite feito com gosto o terá.

    E ainda bem que assim é.

    *Andreia, infelizmente os empresários portugueses decidiram rasgar o acordo que fizeram para subir o salário mínimo para 500€ por isso estaremos pelo menos mais 2 anos a 475€ (mais de 35% da população activa).

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  9. brikebrok

    A foto faz honra ao azeite nao industrial, um azeite que se saboreia gota a gota, lentamente, com prazer … Felizmente vai haver sempre gente que da valor a slow food … malgre le prix …

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  10. wicca

    se colocar uma garrafinha ali na shop, eu compro sem pestanejar. :) fiquei cheia de vontade.

    acabo de oferecer um azeite italiano dos bons (de origem controlada) como presente de aniversário ao meu irmão. custou bem mais e veio só 250ml.

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  11. Sara

    Como te compreendo… Este fim-de-semana, para nós, também foi de apanha da azeitona… Com o tempo frio e a azeitona molhada, há q apanhar tudo rápido para levar depressa para o lagar…

    É um ritual magnífico, cheio de histórias e cantares.

    A arte do panal, o ripar, e limpar a folha…

    Mas fica muito dispendioso, o tratar ao longo do ano, subir montes com garrafões para ir regar as oliveiras, cortar as silvas que se vão apoderando das áreas, pagar a quem nos ajude a colher o fruto e pagar no lagar…

    Mas não há sabor que substitua…

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