11 pontos

11 pontos É uma escola cheia de luz. Tem vidraças por todos os lados. Numa infeliz brincadeira de "tu não entras, travo-te a porta", e ela numa prova de força, "entro sim senhor"... esticou o braço contra o vidro da porta da sala de geografia. Será escusado entrar em pormenores. O braço atravessou o vidro. A M. levou 11 pontos. Todos os anos os vidros partem-se. São simples vidros. Nada de vidros duplos, nada de vidros lâminados. O vidro foi substituído. No toque do intervalo, as crianças correm, jogam à bola. Abrem-se portas, fecham-se outras. O seguro da escola não contempla os danos cometidos pelos alunos. Há que responsabilizar a criança e aos pais de pagar o vidro. Mas não será esse o problema. Será concebível a escola não ter um seguro que abrange este tipo de danos? Será concebível arquitectar uma escola que não seja feita à escala da vida da criança? Será concebível baixar a voz e aguardar outro acidente para despertar a consciência?

Conservar (V)

O doce de pêra O doce de pêra No cesto estavam as últimas pêras de Agosto. Aproveitei a estadia dos meus pais para, numa cozinha a quatro mãos, fazer o doce de pêra da minha infância. Para cada quilo de pêra, a Mutti acrescentou 700 gr. de açúcar. Para os 3 quilos de pêra, curtou 2 paús de baunilha em pedaços pequenos . O todo macerou durante umas 12 horas ao fresco. De manhã cozeram em lume brando. Um momento mágico onde os cheiros subtis perfumaram a casa. Depois é só escolher o método de conservar. Para conservar os doces, uso tanto este método como este e este, mas o meu preferido é certamente aquele que vou agora explicar. É um método ainda utilizado em França e não só, mas que perde adeptos porque o doce dificilmente viaja ao invés deste. Mas têm uma característica que aprecio bastante, tal como o vinho, vai amadurecendo e afinando com o envelhecimento. Depois de 2 ou 3 anos, o doce fica mais sólido, perdendo da sua massa líquida e se tal acontecer, bastará acrescentar um pouco de chá quente na altura de consumí-lo. O método de conservar é portanto simples. Quando o doce ainda está quente, coloca-se uma folha de papel celofane cuja superfície foi previamente humidificada. Estica-se muito bem pelos 4 cantos do papel e coloca-se um elástico à volta do frasco. Nunca consegui encontrar as embalagens à venda em Portugal, mas curiosamente estão disponíveis aqui. O doce de pêra

Mosaicos

Ontem no Porto Mosaicos Ando à procura dum mosaico hidráulico para a cozinha da outra casa. Não só a forma, como a cor. Não é fácil, nada fácil sobretudo quando o espaço ainda está em fase de idealização e tenho de admitir que quanto mais vejo chãos de mosaicos, mais fico hesitante. É muito importante abstrair-se, desconstruir para novamente edificar. Exemplo disso, é esta manta que não tarda vou alcochoar e cujo desenho é a reprodução deste tão simples mosaico hidráulico que um dia encontrei na entrada dum prédio numa rua da cidade Invicta.

Caviar de beringela

Caviar de beringela Caviar de beringela A palavra caviar evoca para mim requintadas sensações. No entanto, reconheço que soa a pretenciosismo, snobismo ou mundanismo. Caviar, é chique, et pour cause! Com o que sobrou da colheita (mas ainda há muito mais na horta), fiz um caviar de beringela aconchegada numa massa folhada. O ambiente é de festa! O caviar de beringela, quente, acompanha muito bem grelhados; frio, é servido em aperitivo como "toast". Um video aqui explica como grelhar as beringelas no forno. Um video aqui para finalizar o caviar. A receita é bastante simples e o sucesso garantido!