Grande e pequenos








É claro, não há volta a dar. O taleigo é um saco e o que se coloca dentro vai do bom senso de cada um.
Há uns pequenos que gosto de chamar minis porque existe uns grandes, muito grandes mesmo e que acabam por contrastar no tamanho. Ainda bem!
Mini porque não precisa de ser grande para levar o lanche ou os berlindes ou a bijuteria ou as conchas do mar ou o que o momento dicta.

Fiz um grande. Cabe lá dentro um pão mas também pode levar um tricot em curso, com as suas agulhas, isso porque enquanto vou estar sábado e domingo no jardim da Estrela, a Rosário vai estender a sua manta a seguir ao almoço e muitas hão-de aparecer para partilhar uma tarde de tricot.
Aparecem!

A vassoura de milho







No dia em que viemos definitivamente morar para a nossa casa, uma vizinha ofereceu-nos uma vassoura de milho.
Recordo-me receber a vassoura nas mãos, tão espantada pela simplicidade e beleza do objecto e do gesto.
Não voltei a ver igual à minha.
As ramas foram atadas com arame, mas soube agora, passado tantos anos, que há ainda quem as faça, amarrando com vime, após ter ripado e seco a palha para as vender no Porto.
Consegui um bom punhado de milho bravo da família do sorgo (sorghum).
Foram agora semeadas. E quem sabe, talvez venha a ter uma nova vassoura para o próximo Inverno!

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Enquanto não tricotar os respectivos pares, vou andar assim!

Silêncios





As manhãs são muito mais silenciosas que as noites.
Gosto da preguiça matinal dos campos, gosto da luz que espreita ainda muito de leve os tons da terra.
Gosto de Les contours du silence porque acentua a poesia de cada dia, em cada momento, em cada fragmento, longe do rebuliço da cidade.

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Um novo mini-saco disponível aqui, enquanto preparo uma nova leva deles.

A sementeira







São 8 da manhã de domingo e apesar da chuva, paira no ar o cheiro à churrascada. Quando me vou aproximando, deparo com febras, entremeadas e frangos assados. Nas longas mesas, não se vê uma mulher, a gente rude do campo come a bucha matinal acompagnado dum tintol.
Fui à feira procurar o que as geadas deste Inverno queimaram.

A couve foi plantada, as batatas e as cenouras foram semeadas. O alho está lindo!
Falta-me plantar o que ontem adquiri na feira, outras serão semeadas mais tarde porque até à "porca de Abril"* pode ainda vir uma forte geada.





* Na gíria popular local, significa a última lua cheia de Abril.