Palheiras





É uma imensa lage, um maciço granítico muito perto de casa onde outrora se fazia a malha, a debulha e secagem dos cereais.
Cultivava-se a aveia, o centeio, a cevada, o milho, o trigo e o linho.
As palheiras, um verdadeiro monumento vivo, permetiam a conservação dos produtos derivados como o feno, as palhas e folhelhos de milho.
Com o pó do milho enchiam-se as almofadas e todos anos eram descosidas para encher de novo como esta almofada que a Natália me mostrou de manhã.



Ao almoço, um esparregado de grelos de nabos, uma variante da receita já publicada aqui.
Um pequeno filme do Tiago Pereira, feito mais à norte e que sabe bem ver e rever.





Bom fim-de-semana!

Destes dias





Não se consegue por o pé cá fora, tanto é a violência do vento, da chuva e do granizo.
Em casa, a electricidade cai 20 vezes ao dia e já lá vão mais de dois dias, tudo por causa das fortes trovoadas.
Estou colada à janela para ter melhor luz e acabar de alcochoar uma manta.
Ontem, fiz esta saia num tecido africano comprado no bairro Matongé de Bruxelas. Acabo de descobrir que este batik foi feito na China mais exactamente aqui.
Sonhava com um pouco do calor de Àfrica, acordo com uma outra realidade!

A “capinha”





Prefiro chamar-lhe "capinha". Já falei dela na altura do Natal porque era uma prenda para a minha mãe, na tentativa de reproduzir o xaile que pertenceu à minha bisavó.
Com as agulhas 2,50 mm fui tricotando em ponto de meia e rapidamente apercebi-me que o novelo silk garden sock da Noro não ía chegar.
Foram precisos mais de 250 gramas desta magnífica lã para agora acabar a "capinha".

Visita de estudo





Aproveitámos as mini-férias escolares para ter a casa cheia.
Apesar do frio e da chuva, foram didácticas.
Seguimos o ciclo da ovelha bordalesa, a raça ovina da Serra da Estrela que também pasta na nossa aldeia, onde ainda se faz artesanalmente o Queijo da Serra.
E apesar da tosquia ser somente no final de Março, fomos todos, pequenos e grandes, visitar uma fábrica de fiação.
A paleta de cores da lã de Arraiolos é vasta e sonho já com um tapete para casa.
Quanto à lã poveira, fiquei surpreendida por encontrá-la aqui. A mesma lã que um dia saiu da nossa aldeia, das nossas ovelhas!
Amanhã vou para Lisboa aprender a fiar a lã.





Teatro dum carnaval anunciado (IV)





Teria sido injusto se os pais não entrassem na paródia.
Hoje à noite, festeja-se o entrudo na aldeia. Desafiando o frio, cada qual aparecerá disfarçado.
Vou assim de burro, também feito em papier maché, embora a técnica seja diferente porque tem uma base feita de pequenos arames.
A máscara foi feita há três anos, colando um a um pedaços de trapilhos para imitar a pele do burro.
Adereços? Nada melhor que uma boa capa alentejana e umas luvas!

Bom carnaval!



As fotografias são da autoria da minha querida filha M.

Teatro dum carnaval anunciado (III)





Realizar esta máscara, foi mais ou menos como realizar um sonho. Embora gostasse de voar, ser um pássaro era meio caminho alcançado. Ao contrário das irmãs, a M. decidiu-se por uma meia-máscara, deixando aparecer os lábios e o queixo. Ela pintou-o de preto e na parte frontal colou umas penas.
Para se assemelhar ao corvo, foram precisos poucos adereços; a capa preta dos meus 15 anos e um cachecol de penas de avestruz.