As meias do Báltico





O sol acompanha-nos.
No jardim, os amigos aparecem, os filhos brincam, mascaram-se e fazem representações teatrais.
Para as crianças belgas, este é o último fim-de-semana antes do regresso à escola.

Acabei a primeira meia. As outras meias são da minha amiga M., cuja avó as tricotou no norte da Alemanha, nas margens do Mar Báltico. Algumas têm mais de 10 anos e a lã é exactamente igual a estas. E por mais incrível que seja, usamos o mesmo método.

Recordações de Infância (II)







Chegámos a Paris para um curto regresso ao meu passado.
Para as minhas filhas é ter enfim uma imagem real sobre tantas histórias que vou contando sobre a minha infância.
O ponto alto foi quando hoje de manhã, a directora da escola primária me abriu as portas do estabelecimento e pude, em família, partilhar os cantos de algumas salas de aulas, apesar das modificações feitas ao longo de tantos anos. Esperava encontrar o magnifico fresco no tecto que alimentava o meu imaginário, na mesma sala onde, com a pena e a tinta da china, exercitava o francês, mas o fresco foi leiloado para angariar fundos para o alargamento e manutenção da pequena escola.

Apesar de tudo, os pormenores mantêm-se e para elas os tabus foram quebrados, embora a magia se mantenha.





Entre céu e terra

Deixámos o Sul de França, rumo à Burgonha.



Abraçar os amigos e descobrir outros horizontes.
L'Espérance (a Esperança) é o nome dum lugar composto por cinco casas. Um oásis no meio dos campos agrícolas.
L'Espérance é a realização do sonho, o regresso à terra, ter a noção das estações, ter tempo, tempo para tudo, tempo para nada, o usufruto do tempo.







Para as crianças, são novas aventuras no paladar e o prazer de ir até à quinta vizinha buscar o leite ordenhado das tetas da vaca.
Correr pelos campos, sentir debaixo dos pés o trigo cortado, o calor da terra.



Amor à Profissão

São estabelecimentos públicos, lugares comuns como cafés ou restaurantes.
Mas são sobretudo lugares com cunhos e personalidades próprias. Chamo-lhe poesia e amor à profissão.
Fogem à regra dos estereótipos comuns impostos pela sociedade.





O Café Bert de Mirmande já fechou as suas portas devido à idade avançada do Pierre que ao longo de muitos anos foi coleccionando cacos da loiça partida pelos fregueses e com eles, criou lindas mesas de mosaicos.





L'Oiseau sur sa Branche é o café utópico ou se queremos, um restaurante onde transborda a criatividade.
As palavras brotam da ementa, das iguarias e da atmosfera em geral.





Le Claire de la Plume é a fineza da pena da Marquesa de Sévigné recriada num jardim romântico.





Não posso deixar de aqui referir o Saudade, da Mary e do Luís, porque é um pouco disso tudo, a vontade de sonhar bem alto e mostrar o que Portugal também tem do seu melhor. Em Sintra.

L'oiseau sur sa branche
La placette
26400 Saoû - França

Le Clair de la Plume
Place du Mail
26230 Grignan - França

Saudade Vida e Arte do Povo Português
Av. Dr. Miguel Bombarda, 6
2710-590 Sintra - Portugal

Retrato de família





A minha família não é muito grande e dispersa pelo mundo.
Quando reflicto sobre a palavra dispersa, justifico sempre por causa das duas guerras mundiais ou à procura duma melhor situação economica, como no caso do meu avô materno que, na véspera da partida em 1928, foi fotografado junto dos pais e irmã.
É o retrato de família, uma bonita fotografia que teve a sua importância. O meu avô nunca mais voltaria a viver na Suíça.



Olho para a minha família, os meus pais e o meu irmão. O acaso quiz que cada um vivesse longe uns dos outros, perpetuando assim longas tradições migratorias.

Foram poucos dias todos juntos.
Não sabemos se tão cedo voltaremos a estar todos reunidos.
O retrato de família foi tirado mas porque não houve consensos para publicação neste post, uma outra fotografia foi tirada de costas para a cámara.

Os tempos são outros!

La Soupe au Pistou



Hoje, pela primeira vez, a família está toda reunida desde o nascimento do S.
Os primos brincam enquanto as línguas e as culturas se misturam.
Abraço o meu irmão que raramente vejo.

O melhor da festa está na cozinha onde há sempre uma grande animação e cujos palavras mais ouvidas ao longo do dia são: "tenho fome".
Para calar tantas bocas a Mutti preparou na véspera uma deliciosa sopa, tipica da região "Provence" que se chama la soupe au pistou.



Para uma panela de 10 litros, a sopa levou os seguintes ingredientes acrescentados aos poucos e pela sua ordem de cozedura:
azeite, 4 cebolas, 650 gr. de bacon, 1, 5 lt. de água, sal, pimenta, harissa, 2 cubos Knorr de vaca ( ou um osso com medula), 1 tigela de feijão branco fresco, favas ou ervilhas, aipo, feijão verde, grão, feijão vermelho, alho francês, 2 tomates e uma courgette.
Todos os legumes foram cortados miudinhos.
Rectificam-se os temperos, acrescenta-se água se for necessário e quando estiver cozida, deita-se massa de tamanho pequeno e apaga-se o lume. Coloca-se a tampa.

Na refeição seguinte, basta aquecer a sopa em lume brando.
A sopa é servida com o pistou e parmesão ralado.

O pistou é composto por uma cabeça de alho, com muito manjericão cortados miudinhos e marinados em azeite.

São sabores mediterrâneos que não deixam de ser primos direitos da nossa "sopa de pedra".