O Vale da Velha





Foi palco de paixões, de sonhos, de projectos.
Mas viveu igualmente de discórdias, de partilhas, de abandono. Até hoje.
O Vale da Velha é nome de um lugar. Um belo pedaço de terra. Com vista sobre as serras envolventes.
Seria fácil imaginar a história daquele vale, onde familiares deixaram há muito, rastos de muitos, muitos anos de lavoura.
Os anos foram correndo, as silvas abraçavam a vinha, o olival caprichava com uma folhagem densa, as arvores de fruta envelheciam sem carinho.
Na primavera, o prado tornava-se bucólico com a densidade de cores. A luz era pura, o silêncio convidava ao concerto da natureza.
Mas era no verão, à sombra do carvalho que os amantes se encontravam.
No outono, o vale vestia um tapete de cartuchos deixado por caçadores furtivos.
Ao longo do inverno, o rebanho invadia o mesmo palco, alisando a erva que temia em crescer.
O Vale da Velha deixou de ter estação.
Os sonhos foram-se.
Amo este pedaço de terra no meio do nada.
Quando vejo esta família ou ainda esta, o Vale da Velha devolve-me o sorriso que há muito perdi. E acredito que ainda é bom sonhar em Portugal.

Mimo





Entre a apanha dos legumes e da fruta, acabei o pequeno top da M.
Demorei tanto tempo para finalizar a peça que afinal, foi tão simples de fazer.
Uma curta pausa para mimá-la e voltar para o jardim.

Conservar (III)

Entre tanta fruta e diversos métodos de conservar os doces (e ainda haverá muito mais a dizer sobre este assunto), os feijões foram os primeiros a aparecer em grandes quantidades no nosso jardim.
O feijão de vagem verde é de "subir" como cá dizem, trata-se duma trepadeira.
O feijão de vagem branca é "moxo" ou seja rasteiro.



Das vagens fiz conservas, porque é possível conservar todo o tipo de leguminosos.
Todas elas foram pré-cozidas em águas salgadas durante alguns segundos.
Utilizei dois métodos de conservar.

O primeiro, após o seu total arrefecimento e secos, foram condicionados em sacos de congelação, identificados e datados.







Mas o método que mais aprecio é o sistema do Familia Wiss.
Nos frascos de vidro coloquei as vagens, enchi-as de água, fechei com a tampa hermética e a tampa de enroscar e dentro duma grande panela dispus os frascos todos, totalmente submersos.
Em cima do fogão, ferveram até chegar aos 100º e mantive a temperatura durante hora e meia. Existe também um tutorial aqui.

Estas conservas vão estar arrumadas ao abrigo da luz e do calor e serão consumidas ao longo do ano.



No nosso jardim, os feijoeiros continuam a dar vagens. Alguns para consumir na hora, enquanto vagem tenrinha, os outros secarão para criar feijão sêco.
E aqueles que não forem consumidos ao longo do ano, serão semeados em Abril, de preferência no quarto minguante!