Descobrindo Shanghai

Os dias e as semanas passaram a um ritmo alucinante. A “memória” do dia 4 de Junho obrigou o governo a dificultar os acessos à net, uns dias antes da data e na semana que se lhe seguiu, por isso, não consegui dar notícias.
O que vou deixar aqui são as impressões duma curta estadia num país que vale a pena um dia conhecer.

A C. e eu deixámos para trás tantos sorrisos que nos acolheram, tantas fotos em que os chineses fizeram questão de tirar. Os nossos grandes olhos de europeus foram o maior fascínio.

Tentámos penetrar a cidade, visitando os seus museus, caminhando pelas avenidas infinitas, correndo atrás do metropolitano, mergulhando na poesia dos seus jardins, conscientes que há muito mais para ver.
Uma escapadela em Hangzhou permitiu-nos entrever o céu azul que tanto faz falta a Shanghai.

Tive muitas dificuldades em encontrar algodões tradicionais, não obstante os mercados de tecidos, mas a grande maioria dos chineses têm os olhos postos no futuro. Fazem de nós um povo ainda muito mais pequeno porque a China sendo um país imenso, com imensa gente, absorve com uma velocidade estonteante as novas tecnologias.

Há lugares que vou deixar com saudades. A primeira é sem dúvida a loja da Mina Hu. A simplicidade com a qual me recebeu, num espaço que se quer antes de tudo o coração vivo duma China rural e étnica, contrasta com Shanghai. Foi neste ambiente que descobri tecidos tingidos com folhas da Indigofera e o seu processo de fabrico está amplamente ilustrado num lindo álbum fotográfico.
O segundo lugar prende-se mais com a minha pessoa e com os locais onde eu cresci. Red Town onde me identifiquei muito é o exemplo do reaproveitamento de espaços fabrís reconvertidos em galerias de arte, escritórios, ateliers de pintura, espaços de creatividade na àrea do design industrial ou outros, em corredores onde se multiplicam as esculturas em cada esquina. Lá fora, o espaço verde envolvente é mais uma vez o prolongamento do que estes espaços encerram. A C. e eu vimos a exposição do Alberto Corazón rivalizando com outras galerias de artistas chineses.

Mas para a C. os lugares que mais a marcaram e para citar só dois, foram o Shanghai Ocean Aquarium com os seus 155 metros de tuneis debaixo de água, deixando-nos guiar por um tapete rolante, o que lhe permitiu ver de muito perto a barriga do tubarão ou ainda a foca que durante largos segundos lhe deu uns beijinhos através do vidro.
Teria sido uma grande lacuna se ao deixar Shanghai não tivéssemos ido à loja da barbie. Sobre 6 andares numa das elegantes avenidas da cidade, a C. maravilhou-se com este mundo. Neste espaço, há roupas, SPA, cabeleireiro, passarelas, sessão fotográfica para barbies da idade dela. Também há barbies em ponto pequeno, mas o melhor ainda será espreitar aqui.

Tanto para a C. como para mim, o nosso melhor refúgio foi o jardim. É o espaço de lazer, de descanço, de reflexão, de encontros. Foi nesse lugar que descobrimos o som do pássaro, abstraíndo o som da urbe. É impressionante quando entramos num jardim, descobrirmos o silêncio da cidade.

Shanghai está em obras. Uma obra é sinónimo de progresso. Daqui a um ano, Shanghai será palco da Exposição Universal 2010. O pequeno Hai Bao (que significa pequena onda) é anunciado em toda a parte, em todos os lugares. Será a oportunidade para muitos conhecerem esta cidade que hoje alberga 18 milhões de habitantes.

Por último, quero agradecer aos meus amigos a possibilidade que nos deram de poder fazer esta magnífica viagem. Sem esse convite, não teríamos a possibilidade de entrar na China. Sem eles, nada teria sido possível.
Apercebi-me que a informação sobre a China muitas das vezes nos vem deturpada por ambos os lados, mas Peter Hessler escreveu um livro, uma referência marcante cujo o título China, convido à leitura, para melhor compreensão deste imenso país com um povo, uma cultura, uma civilização, que temos todo o interesse em conhecer, compreender e respeitar.

Bem hajas à C., ao Z. e ao S.

Partilhar entre tantos outros lugares de Shanghai o famoso e muito bonito restaurante Shintori com uma cozinha “Fusão”.

Da cabeça aos pés, falo sobretudo dos sapatos na Suzhou Cobblers. Lindos!

One comment on “Descobrindo Shanghai

  1. Pingback: Sacos « XuXudidi et plus encore

Deixar uma resposta