Taleigos

Há uns dias atrás, uma senhora bateu à porta de casa para partilhar comigo uma herança recebida há já uns anos largos.
Três taleigos.
Grandes.
Muito usados e com tantas histórias para desvendar, como este cujo bordo foi feito com tecido africano. E a senhora confirmou que quem o fiz tinha tido um irmão no antigo Congo Belga e costumava trazer tecidos de là, para as irmãs. Hoje, desta humilde herança, os taleigos servem para guardar a alfazema, o feijão e outros legumos secos. Aliás, sempre serviram para isso.

Faço taleigos.
O taleigo é também onde exercito as diversas técnicas do patchwork, dando-lhe um fim feliz.
O taleigo hoje serve para tantas coisas, como para guardar o pão, arrumar melhor meias de vidro durante uma viagem. É uma espécie de gaveta para melhor proteger o que nele queremos guardar.
Há o taleigo para guardar os sapatos, para o croché, como lhe dá uso a Chuculeta con Raton.
Há taleigos grandes.
Também há pequenos para transportar, entre outros exemplos, colares, pulseiras, objectos de toilette, eu sei là…

Faço taleigos.
Porque um dia, quando tiver maior experiência e maturidade nestas técnicas, quero aproveitar um dos padrões propostos neste livro, tão bem descrito aqui, com inspiração nos azulejos.
Nesse dia, espero que não será um taleigo mas um pequeno painel, digno de colocar na parede.

E por falar em livros, hoje apetecia-me estar aqui.

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