Há manhãs…

Há manhãs tão violentas que destroçam a doçura do sonho, a doçura da noite.
Há manhãs em que a beleza tem contornos menos próprios.
Foi esta manhã.
Num ritual diário pela madrugada, saudando a natureza, descubro horrorizada sete dos oito patos espalhados, mortos pelo jardim fora. Obra duma raposa.
Há olhares que não conseguem ver, olhares que não conseguem apagar da memória a imagem produzida.
E o dia vai já longo…
Foi esta manhã.
O sino da capela também tocou. Para anunciar a morte.
Fosse antes um toque para a celebração da vida.
Foi esta manhã.

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