Do Céu





O olhar da C. iluminou-se quando percebeu que ía fazer um voo nocturno "no meio de um céu estrelado" como ela declarou.
O Boeing 747 descolou de Amsterdam e, na linha do horizonte, um pôr do sol espalhado pelo infinito... as horas foram passando sem nunca termos dado pela noite porque a madrugada já despontava. Pareceu uma eternidade.
O sol não veio. Um céu carregadíssimo até a noite cair sobre Xanghai.

Pelo sim, pelo não, tivemos de preencher um inquérito sobre o nosso passado recente e o futuro próximo por causa da epidemia da gripe A(H1N1).
Não escapámos à medição da temperatura.



Xanghai é uma cidade em constante movimento quer seja de dia como de noite. A nossa primeira noite vai ser servir para reorganizar os fusos horários.

...

Devido ao facto da China ser um país de regime autoritário, não consigo aceder directamente ao meu blog.
Para consultar as fotos, basta ir ao flickr.
Apesar de hoje ter conseguido escrever, podem passar dias sem que eu consiga aceder ao blog novamente... voltarei a publicar novidades assim que possível. Até breve

O Trevo de 4 Folhas







As malas estão praticamente prontas.
Levo um pão caseiro, chouriço, azeite, chocolate e demais iguarias portuguesas.
Levo a revista MUDE por ser a novidade na banco como o jornal i.
Levo o trevo de 4 folhas para desejar sorte, um gesto simbólico, mas que quer ser dado com todo o carinho, porque os amigos ousaram aventurar-se em terras tão distantes à procura dum lugar para dar asas às suas criatividades.
Levo a C. e as duas vamos partilhar um pedaço da nossa aventura. A escola fica para trás para uns tempos, tempo para novas descobertas, porque isso também é escola.
Ela e eu, levamos o moleskine para anotar, desenhar ou colar as fotos da nossa viagem, para mais tarde recordar.
Levo livros infantis em português, para que o S. não esqueça a língua materna e para que a C. possa ainda lhe contar umas histórias aquando da nossa estadia.
Pelo sim pelo não, levamos as máscaras porque vamos cruzar alguns aeroportos e que ainda se fala na gripe A (H1N1).





O trevo como as outras coisas que levo e que são surpresas, encontrei-as na Empório.
A Empório é antes de tudo a loja em que no sábado, dia 20 de Junho festejarão o seu meio ano de existência. Cada mês é dedicado a um tema e para a ocasião, o Sr. Marcelino e o filho, o Sr. Carlos virão falar sobre o que é ser tipógrafo, a vida duma tipografia... os donos da Tipografia Viseense, adquirida em 1969, farão a seguir uma visita guiada por aquele espaço, um mundo peculiar, com cheiros característicos.
E como eu, poderão descobrir carimbos, zincogravuras, algumas em placas de cobre. Lindo!
Será às 15 horas.

Empório
Rua Silva Gaio, 29
3500-203 Viseu
Tel: 232 416 473
www.projectopatrimonio.com

Os tecidos



O quilt representa a sinopse dos 4 workshops da Rita.
Descobri que o tecido é o elemento motor no meu trabalho, para além do esquema escolhido.
Descobri que há tecidos com os quais não consigo trabalhar. Uma birra à volta das cores berrantes impediram-me ir mais além na criatividade. Senti-me frustrada.
Retomando os tecidos em amostra, consegui acabar o patchwork a tempo de o alcochoar à maquina.
Não restam dúvidas, o trabalho não é o mesmo e continuo a achar que uma manta alcochoada à mão, tem muito mais encanto.



O "capricho" à volta do tecido foi reflexão de fim-de-semana.
Acho tão importante ver e apalpar o tecido. Há lojas on-line, fiéis na tonalidade dos seus tecidos, outros nem tanto. É por isso que muitas das vezes hesito na compra de alguns.

Gosto de entrar em retrosarias de outros tempos, para encontrar tecidos antigos como a pequena descoberta do Opal (espécie de tecido em algodão). Não sei praticamente nada sobre este tecido, mas adorava saber mais, adorava encontrar mais uns metros!

Gosto também de ver os ventos mudarem e cruzar-me com tecidos como os do Kaffe Fassett a encher o canto de uma prateleira, assim aconteceu em Viseu, na retrosaria do Sr. Manuel.
Uma nova aposta nos tecidos de algodão, "um tiro no escuro" como diz ele.
O Sr. Manuel nunca tinha ouvido falar em patchwork ou quilting. Louvo a iniciativa, porque sem saber, ele devolveu-me um sorriso a este comercio de rua onde já só ia comprar as linhas.



Mavimodas
Rua da Paz, 4
3500-168 Viseu
Tel: 232 437 795

Conservar (I)

Este primeiro método de conservar aplica-se somente aos doces.
Digo, os doces e não às geleias ou outros tipos de métodos de conservar legumes ou frutas em caldas. Voltarei a falar deles durante o Verão.





O método mais simples, consiste na reutilização de frascos de vidro de recuperação.

Os frascos terão de estar prontos, ante da confecção do doce, esterilizados e secos.
É importante prever o número de frascos necessários; um quilo de fruta e um quilo de áçucar representam mais ou menos um quilo e setecentos gramas de doce.

Um frasco mal lavado pode originar bolor ou podridão.

Quando o doce está pronto e ainda quente, enchem-se os frascos até ao topo, com a ajuda duma concha em metal inoxidável.
Limpar o bordo com um pano limpo e seco.
Colocar a tampa e virar os frascos de "pernas para o ar" até o seu completo arrefecimento, para desta forma, criar um vácuo.
O volume do doce diminuirá ligeiramente.

Para as geleias, o processo é idêntico, enchem-se os frascos a quente mas fecham-se a frio.

Estes frascos conservam-se ao abrigo da luz, numa arrecadação ou num armário.

Utilizo este método para sobretudo oferecer os doces aos amigos, porque é muito fácil para transportar.
Na arrecadação, ainda tenho uns poucos frascos de doce de laranja amarga do ano de 2006.

O método que mais aprecio tem mais a ver com a estética, pois tenho uma admiração por frascos antigos de doces do século XIX. Mas em breve voltarei a falar neste outro método de conservar.



E porque vejo os frascos de "pernas para o ar" partilho convosco o paper piecing que vou levar amanhã para o workshop da Rita. Estou curiosa de saber como se acolchoam estes hexágonos!

O Doce de Morango



Ontem uma vizinha ofereceu-nos lindos morangos do seu quintal, um bom quilo deles.
Para mim são os melhores morangos. Nada a ver com os morangos do supermercado que deixamos de comprar há já muitos anos, porque uma das razões é não terem sabor nenhum.

Ter morangos, dá muito trabalho e os que temos no nosso jardim nunca chegam à casa.
As crianças rivalizam com os pardais!

Do quilo de morangos, estou a fazer o doce que será conservado para comer durante o Inverno.
A receita não dá muito trabalho, mas leva mais de 24h para ser finalizada, porque assim guarda todo o sabor do morango. Nada mais agradável do que sentir o seu perfume fora da sua época.



Aqui vai a receita:

Para um quilo de morangos, 800 gr. de açúcar cristalizado.
Depois de lavar, secar e tirar o caule, colocar numa bacia e por camadas, alternar os morangos com o açúcar. Deixar descansar durante 24h no frigorífico.
Colocar num tacho e deixar ferver durante 10 minutos.
Retirar os vestígios de espuma.
Colocar novamente o doce numa bacia e deixar em repouso mais 12h. A seguir, acabar a cozedura deixando ferver uns bons 5 minutos.

Esta receita em particular, deixa todo o aroma dos morangos.

Quanto aos diversos métodos de conservar, muito em breve dedicarei umas páginas sobre o assunto.