O enterro do S. Martinho

De véspera, foi o anúncio.
Percorreram a aldeia, funil na mão, para ampliar o veredicto.
Adoram acordar a gente!

S. Martinho

Hoje à noite decorreu o tão esperado enterro do S. Martinho. Uma tradição de origem pagã que foi recuperada há uns poucos de anos para cá.

Se nos anos anteriores elas faziam questão em não ir porque ficavam muito assustadas com a escuridão da noite (a iluminação pública é propositadamente desligada), com o choro das carpideiras ecoando pelas ruas e com o Requiem de Mozart como fundo musical, este ano a M. queria seguir o cortejo, onde a Irmandade costuma iluminar as ruelas com os seus archotes.
Atrás e deitado na padiola estava o S. Martinho, um boneco de palha vestido a preceito. Seguiu-se a representação do “sacerdote”, o antigo sacristão da terra que foi largando deixas… e por vezes em latim!

A seguir a ele, iam as viúvas do S. Martinho, vestidas de preto como a noite, reforçando o drama, largando berros com o povo atrás rindo de tanto sarcasmo.

Após a longa caminhada pela povoação, já no Largo do Rossio da aldeia, o boneco foi pendurado.
As pessoas concentraram-se à volta do S. Martinho e pegaram-lhe o fogo.

As chamas ganharam forças. Os rostos iluminaram-se. Afinal, há sempre a gente da aldeia que saiu à rua para assistir e participar, perpetuando assim a tradição.

E não esqueçamos, no dia do S. Martinho come-se castanhas e prova-se o vinho!

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