“Ter vizinhos, ter amigos…”

Foi um despertar sobre a primeira chuva do Outono.
Aproveitando o feriado municipal de Oliveira do Hospital, fomos espreitar novos livros na biblioteca de Tábua.
Para assinalar o mês da Música, está patente uma magnífica exposição de instrumentos étnicos cedidos pela Casa da Ribeira, com uma mostra de fotografias de Ricardo Leal.

E como a C. ficou de cama com temperatura, trouxemos-lhe, entre muitos outros livros, “A Saquinha da Flor” de Matilde Rosa Aráujo com ilustrações de Gémeo Luís (do seu verdadeiro nome Luís Mendonça).

“…
Na verdade, à Avó não faltava nada. Ou faltava?
As lembranças de uma vida inteira acompanhavam-na.
Ela, Amélia, ali no monte, naquela casa de granito onde tinha nascido.
Acompanhava-a o Faísca, o cão de olhos meigos, olhos que falavam.
E, em volta, viviam ainda alguns vizinhos. Ter vizinhos, ter amigos, mesmo que não estejam à nossa beira, é uma felicidade.
E Amélia sabia colher a felicidade como se colhe a fruta madura de um pomar.
E mais ainda.
Olhava as árvores, o chão, as flores do monte. Escutava os pássaros. As cigarras.
Os ralos. Até o silêncio.”

Lembro-me de ontem, da minha visita de médico só para dar um beijo, para matar a saudade, antes de ir a correr para outras freguesias e o carinho, a atenção como fui recebida, levando comigo as “rodas tontas” que hoje fizeram as delícias das minhas filhas.
À volta da doente, fomos lendo, fomos ouvindo e rimos muito. Dei comigo a acabar esta pega.

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