A Rosa Azul



Um dia fui ao meu jardim
E colhi um alecrim
Cheirava bem
Que dei a minha mãe.

Um dia fui ao meu jardim
E colhi uma rosa
Mesmo espantosa.

Um dia fui ao meu jardim
E colhi um girasol
Que seguia sempre o sol.

Um dia fui ao meu jardim
E colhi um malmequer
Que ele bem me quer.

Um dia fui ao meu jardim
E colhi uma túlipa
E vi um senhor fumar na pipa.


Clotilde, 8 anos.

Os Conjuntos

Conjuntos

Da última vez que fui para Lisboa, fui espreitar a loja da Inês. Confesso que era a primeira vez que entrava numa loja especializada em patchwork. E mesmo se há algumas lojas virtuais dedicada sobre este assunto, fiquei muito contente de poder tocar os tecidos, apalpar e de colocar todas as perguntas sobre tantas dúvidas.
Há relativamente pouco tempo, não percebia nada desta arte, hoje entendo um pouco mais sobre o básico.
Nesse mesmo dia comprei alguns tecidos, decidida em fazer o meu primeiro quilt.

Embora este vai demorar algum tempo até a sua realização, com os retalhos fiz estes dois taleigos (saco do pão) com as respectivas pegas "tête de nègre".

Para qualquer informação adicional pode enviar um email para xuxudidi arroba gmail ponto com.

Todas as Quintas-Feiras!




Olho pelos animais todos e penso nos verdadeiros troféus que a J. nos habitou a trazer para a casa, todas as quintas-feiras.
Uns perderam-se, outros já estão partidos, salvam-se alguns e hoje sorrio.

No princípio do ano lectivo anterior, quando entrou para o 1º ano, vimos rapidamente (bastaram os dois primeiros meses) uma menina, tal uma bonita flor, a murchar. Ela não se adaptava e apesar de registar a informação dada, era incapaz de se concentrar mais de 10 minutos.
Da menina sempre tão alegre, sempre com tanta energia, vimos uma depressão instalar-se.
Foi rejeitada pela pequena comunidade e não fiz uma amiga.
No princípio deste ano, acabou por ser seguida pela psicóloga, seguida da terapeuta da fala, para mais tarde (faltava um mês para o fim das aulas) ser vista pela pedo-psiquiatra e ser medicada.
Além de recomandar a mudança de escola para este novo ano lectivo, foi (e ainda é) intensamente seguida por uma pedagoga.
Uma grande dose de cavalo, mas foi em princípio de Agosto que voltamos a reencontrar uma menina com o seu grande sorriso e com o seu pleno de energia.

Mudou de escola.
Ela quer ir para a escola!

Continua medicada, e todas as quintas-feiras, entre outras consultas, vai a terapeuta da fala.
Estes troféus são tão importantes como colocar de novo a auto-estima da J. para cima.

Quanto a mim, confesso que as viagens são muito cansativas. Percorro 80km para là, 80km para cá, numa estrada (IP3) que considero muito perigosa e requer muita atenção.
Quando estou nas salas de espera, sou incapaz de ler. A mente está dispersa e revivo o filme da viagem.
Encontrei no tricot, a solução ideal para estas longas esperas.
E embora eu esteja sempre a recomeçar a minha meia, porque de facto tenho um pequeno problema linguístico, e nem tudo vem no diccionário, encontrei uma forma de canalizar o stress, as preocupações e abstrair-me do espaço onde tenho de estar, a espera de poder levar a J. de volta para a casa.

Entretanto…

Os dias vão diminuindo.
O Outono finalmente chegou.

Para dias mais frios

Entre as idas e voltas, cada vez mais numerosas: casa/escolas, escolas/casa (porque são 3 horários, para 3 raparigas), da aldeia às cidades, das cidades à aldeia, lutando para uma melhor instrução, uma melhor educação, aproveito o pouco que me sobra para actualizar as pegas, já tão faladas e que se chamam Tête de Nègre.

Além destas duas, tenho mais três, aqui.

O Boneco das Preocupações

Quando fui de manhã espreitar os livros na biblioteca de Tábua, porque a C. me tinha pedido um livro de "Uma Aventura em França" de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (Ed. Caminho), dei comigo a folhear "As Preocupações do Billy" do Anthony Browne, edição Kalandraka.

Billy

Há dois anos, numa visita escolar do primeiro ciclo às bibliotecas, as minhas filhas descobriram os bonecos das preocupações. À noite, mostraram os seus trofeús e desde então, aquele pequeno boneco tem povoado debaixo das almofadas da casa.
Com um simples palito, elas regularmente criam estas pequenas personagens que vão oferecendo às amigas.
Há pouco tempo, descobri um verdadeiro.

Bonecos das preocupações

Os bonecos das preocupações têm a sua origem na Guatemala. Desde há muitos anos, as crianças guatemaltecas fabricam estes bonecos com bocados de madeira e restos de tecidos e fios.
À noite, à hora de se deitarem, contam uma preocupação a cada um deles e colocam-nos debaixo da almofada.
Desta forma, as crianças acordam na manhã seguinte sem preocupações.
Este costume está agora espalhado por distintas partes do mundo.


E como tinha direito a trazer 3 livros, trouxe comigo, da mesma editora, "O Coelhinho Branco" de Xosé Ballesteros com ilustrações de Óscar Villán.
Gosto particularmente do jogo de palavras à volta da cabra cabrês. Ou será cabra cabressa?
Talvez cabra cabraz ou cabra cabracha?
Ou como diz a formiga rabiga... cabra caprina!

O certo é que à noite, elas adoram ouvir uma história e eu confesso, adoro contá-la.