Nem tudo é branco nem tudo é preto

Na vida, “nem tudo é branco nem tudo é preto”. Pessoalmente, defendo o respeito pela opinião de cada um, o que não significa que esteja de acordo com tudo o que seja expresso. Assim, penso que devemos ter uma abertura de pensamento para com outras culturas, não abdicando todavia duma análise livre examinista, rejeitando juízos apressados e simplistas.
Vem isto a propósito dum comentário relativamente à minha “tête de nègre” do passado dia 22, duma Senhora america (EUA). Os Estados Unidos da América têm a sua história, rica e pobre como todos nós, mas na qual espoliaram e dizimaram populações indias; a abolição da escravatura engendrou uma guerra civil; a população negra de origem africana, descente dos antigos escravos, não tinha direitos civicos, predominava a segregação racial nos transportes públicos, nas escolas… até há bem pouco tempo. (recorde-se Kennedy e Martin Luther King, ambos assassinados). Ainda hoje se ouve (desagradavelmente) na televisão um branco do Sul dizer que não vota em Obama simplesmente por ser … negro e inferior. Ainda hoje existe a pena de morte em muitos Estados. Felizmente que muitos americanos não pensam assim … mas isto são os Estados Unidos da América.

Por outro lado, na Europa Ocidental e concretamente em Portugal, aboliu-se a escravatura e a pena de morte na segunda metade do século XIX, o que não provocou nenhuma guerra civil. Em Portugal, no Brasil, Angola, Timor, Macau, Goa, etc. existem inúmeras familias euro-afro-asiáticas, há muitos séculos. Isto não siginifica que Portugal seja uma sociedade ideal. Também temos os nossos defeitos, como todos. Portanto, “nem tudo é branco nem tudo é preto”.

A pega para os bules, denominada “tête de nègre” tem a sua origem no Magrebe (Norte de África – Marrocos), portanto não tem sentido apelidar-se de racista algo que vem da própria Àfrica, concebido pelos próprios africanos. Quando abordamos a incomensuravel arte africana ou euro-africana, nunca se levantou qualquer questão de racismo. Essa senhora americana deveria ler, entre milhares de tantos outros excelentes autores, os textos sobre a negritude de Léopold Senghor, Amilcar Cabal, Mandela ou Gandhi. Penso sincera e convictamente que nos devemos todos respeitar uns aos outros, independentemente das nossas culturas, nacionalidades, religiões, sexo, origens sociais ou étnicas, dentro dum espírito de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A nossa abertura a outras culturas, viajando por esse mundo fora, leva-nos a ser cada vez mais cidadãos do Mundo, mais Humanistas, o que não nos impede de respeitar a nossa própria cultura e a sua “praxis”.

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