Le Doudou

Le doudou

Três meninas em casa e cada uma com a sua mania.

Em primeiro foi a M.
Lá foi ela crescendo com um dedo na boca, discretamente, certo. Não era frequente vê-la durante o dia chupando o dedo, mas vingava-se à noite!
Eu ameaçava suavemente com piri-piri no dedo, mas nunca fui capaz. Tinha razão em ser paciente porque naturalmente foi deixando, já com os seus 8 anos bem feitos.

Em segundo foi a C.
Nada de dedinhos, mais uma coisa inestéctica na boca da criança a que se chama de chupeta.
Não sei se foi devido aos numerosos acidentes de percurso na pequena vida dela, mas era de facto um vício. Ela ia chupando, mastigando a borracha até que, numa consulta de rotina, descobrimos que estava a desformar o maxilar devido ao excercício que diariamente ela praticava.
Fomos-lhe dando responsabilidade em relação à “coisa” dela.
“Vê-la, não te esqueças da chupeta…”
Até que, numa curta estadia em Braga, ela esqueceu-se da chupeta na cama imprestada.
Com os seus dois anos e meio percebeu o sentimento de perda.
Ainda hoje, recorda do dia em que se esqueceu da chupeta. Durante anos não quisemos voltar à Braga, com medo que…
A borracha-chupeta, ela, está muito bem guardada!

Há praticamente um mês, foi a Ju.
Com seis anos em pleno, ela nunca usou o dedo, cuspiu a chupeta.
Até que o Pai Natal trouxe-lhe um boneco. Apoderou-se dele.
Foi companheiro de todas as noites, em tantos lugares, em tantas viagens…
Abraçou-o para afastar os pesadelos, para acariciar os sonhos… até que…
Há praticamente um mês, arrumamos o quarto e o “Doudou” mergulhou no cesto das bonecas, sem sabermos.
A Ju. assumiu: “já não sou um bébé!”
Mas há dias, lembrou-se dele, uma preocupação, uma agitação. Virou casaca.
Procurou, desarrumou, criou o caos para gritar “Vitória”.

“Maman, tira-lhe uma foto. Vamos lavá-lo e guardá-lo.”

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