Arrumações





Elas vão crescendo, os brinquedos vão encolhendo.
Foi hoje!
Para guardar... à direita, direitinho ao sotão. Para os filhos delas, talvez para os netos.
Para dar... à esquerda. À amiga da Ju, que só tem uma boneca, e para todos aqueles que não têm a sorte delas.
Ao meio, para deitar fora porque já não são nada.
E mesmo assim, foi muito pouca coisa.
Afinal, elas vão encolhendo e os brinquedos voltam ao que eram.



Elles grandissent, les jouets rapetissent.
C'était aujourd'hui.
Garder? A droite. Tout droit dans le grenier. Pour leurs enfants, peut-être pour les petits-enfants.
Donner? A gauche. A l'amie de Ju. qui n'a qu'une poupée, et pour tout ceux qui n'ont pas cette chance.
Au milieu? A la poubelle parce qu'ils ne sont plus.
Et même comme ça, il y a eu peu de choses.
Finalement, elles rapetissent et les jouets reprennent leur véritable taille.

Ma lettre ouverte,

Vestigio

pour toi tout d'abord.
C'est mon sentiment qui s'ouvre et se dévoile. Je pense que mes mots seront correctement interprétés.
Te dire combien je suis gênée, vraiment, car tu viens d'attribuer une valeur à cet espace virtuel qui est devenu mon lien quotidien avec le monde.
Cet espace que j'ai voulu délibérément comme la Maman que je suis dans cet univers rural qui n'est pas mien, où j'essaie de prendre racine et où toute créativité prend son envol.
Me voilà avec une médaille autour du cou!
Quel lourd fardot! Je le compare à tous ces forwards que je continue à recevoir dans mes mails et que pratiquement je ne lis jamais. Certains sont superstitieux, d'autres religieux, moralistes... j'aspire à d'autres choses, vraiment!
Je me dois maintenant de choisir dans un univers sans limite, quatre blogs... c'est terrible!
C'est comme tout d'un coup avoir la corde autour du cou.
Je t'assure, je n'y arrive pas.
Ce qui fait la richesse dans la rencontre des blogs, c'est justement la diversité des différences.
Je ne peux donc attribuer, car ce serait juger et automatiquement exclure.

Sincèrement, j'ai dit.


Uma carta aberta,
primeiramente para ti.
É o meu pensamento que se abre e se desvenda, penso que as minhas palavras serão correctamente interpretadas.
Dizer-te o quanto estou incomodada, sinceramente. Pois acabas de atribuir um valor a este espaço virtual em que se transformou o meu elo quotidiano com o mundo.
Este espaço que eu quiz deliberadamente, como mãe que eu sou, neste universo rural que não é o meu, onde tento enraizar-me e onde toda e qualquer criatividade inicia os seus primeiros passos.
Eis-me aqui com a medalha ao peito.
Que fardo pesado! Comparo-o a todos estes forwards que contino a receber nos meus emails e que raramente leio.
Alguns são supersticiosos, outros religiosos, moralistas... desejo ardentemente outras coisas!
Tenho agora que escolher, num universo sem limites, quatro blogs... é terrível!
É como se, subitamente, me pusessem a corda ao pescoço!
Asseguro-te, não consigo escolher!
O que cria a riqueza do encontro através dos blogs é precisamente a diversidade das diferenças entre nós!
Pelo que percede, nada posso atribuir, pois, seria julgar e automaticamente excluir!

Disse, com toda a minha sinceridade.

O taleigo

O primeiro taleigo!

Lembro-me, há 20 anos atrás, quando residia em Lisboa, de ver o padeiro distribuir o pão de bicicleta, com um lindo cesto de verga. Penso que desapareceu com os anos.
Na aldeia, as mulheres fazem o pão.
Eu não o faço. São outras lidas!
Mas tenho o padeiro que me deixa o pão à porta de casa, bem cedinho de madrugada.
Ele vem "montado" na carrinha para mais rapidamente percorrer as casas por cá espalhadas, as aldeias distando umas das outras.
E na madrugada adiante, vêm-se taleigos à porta de algumas casas. Mas aqui são feitos de linho (os poucos que vão sobrevivendo a invasão dos sacos de plástico).
Com os retalhos de algodão, fiz um taleigo para acolher os pães ainda quentes do padeiro.
Em casa, estão todos com medo que alguém venha roubar o saco do pão. E remato, lembrando que até hoje ninguém roubou pão nenhum, portanto também não será por um taleigo!

Tribal





Na pacata Caldas da Felgueira, mesmo a beira do Mondego, decorre até amanhã o III Festival Tribal.

"O que quer dizer "tribal" Papa... Maman?" Disse uma.
"Vem da palavra tribo, e o que entendes tu por tribo?" Disse a mãe.
"Uma tribo, são os indios" disse a segunda.
"Os cowboys também são uma tribo?" Disse a terceira.
"Uma tribo é constituida por pessoas da mesma raça, da mesma cultura, eventualmente da mesma família..." disse o pai.
"Então os rastas também são uma tribo?" perguntaram as três.

E aí se dançou ao som dos Dyabara.

Coelho salteado “à la forestière”

A "Tasca"

Ingredientes:
- 1 coelho
- 100 gr. de bacon magro em pedacinho
- 1 cebola, 1 echalota, 1 dente de alho
- 1 raminho de tomilho, 1 colher de café de manjerona
- 125 gr. de cogumelos brancos
- 1 maçã
- 2 dl. de vinho branco
- 4 colheres de sopa de cognac
- 60 gr. de manteiga, salsa, sal e pimenta q.b.

Cortar o coelho em bocados, guardar o fígado.
Deitar os pedacinhos de bacon em água a ferver durante 1 minuto. Depois retirá-los e deixar escorrer.
Aloirar o bacon em manteiga, em seguida retirá-los da caçarola e reservá-los.
Colocar os pedaços de coelho na caçarola onde foi refogado o bacon. Acrescenta sal e pimenta q.b.
Faça aloirar o coelho em lume intenso com a cebola picada.
Ao fim de 5 minutos acrescentar a echalota, o dente de alho esmagado, o tomilho, a manjerona e o cognac.
Acrescentar o bacon, os cogumelos, a maçã descascada e laminada, o vinho branco e finalmente a salsa picada.
Deixar cozer em lume intenso durante 15 minutos, mexando de vez em quando.
Colocar o colho na travessa bem quente.
Acrescentar ao molho o fígado picado miudinho, faça reduzir.
Fora do lume, acrescentar o resto da manteiga em pedacinhos.
Deite este molho por cima do coelho.
Servir com purée de batata ou castanha.

Foi no pátio que almoçamos esta deliciosa refeição, enquanto uma chuva miudinha humidificava a terra e libertava deliciosos perfumes.
Bom apetite.

O estojo de agulhas de tricot

"Indo eu, indo eu a caminho de Viseu..." Alegramente no carro de manhã.

"Três palavras, Maman, obrigado, merci, M.U.I.T.O obrigado", já no princípio da noite no regresso á casa.

Do dia, ficou uma imensa alegria, aprofundar as amizades, promessas, muitas promessas sim, já a seguir às férias.
Promessas das novas amigas vir até a nossa casa, promessas de duas mães...

E tudo isto porque...





... há alguns meses (mesmo assim poucos meses) a S. encomendou-me um estojo para agulhas de tricot.
Nunca tinha visto, não fazia ideia, não imaginava o objecto.
Precisava de tempo, de sentir a coisa.
Foi em visita à casa da mãe duma amiga minha, que o descobri. Pedi imprestado.
Olhei, toquei, pensei.

Foi de cabeça.
Nasceu um prado onde se enfiam as agulhas de tricot, uma macieira onde guardar os alfinetes, uma escada para segurar a tesoura, uma maçã, uma nuvem para a poesia.
Foi a primeira encomenda e gostei!
Tenciono desenvolver o conceito.